Está para durar a permanência do ex-presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves (PSD), no espaço mediático, porque deixou um rasto de projetos que o seu sucessor Luís Souto, do mesmo partido, tenta cumprir e a oposição socialista tenta travar, como o das urbanizações da antiga Lota, de 11 hectares junto do centro da cidade, e a do Cais do Paraíso, com um Plano de Pormenor aprovado que pode viabilizar um hotel de 12 andares. Do que se prometeu tanto, durante a recente campanha eleitoral – a construção de habitação a custo acessíveis – ainda não se conhece qualquer plano.
Entretanto, o «”estadinho” de graça» de um mês que Luís Souto pediu à oposição (PS e Chega) já terminou há uma semana, mas ainda apela aos socialistas que abrandem o ritmo de pedidos de informações e requerimentos, o que têm feito nas reuniões do Executivo. Luís Souto tem gerido o dia-a-dia, tentando fazer avançar os projetos que Ribau Esteves deixou, tem comparecido em eventos e, quanto a obras novas, deu início à reparação da calçada no bairro do Alboi.
Entretanto, o que tem unido PSD e PS ainda são, pelo menos até à data, a construção da estrada Aveiro-Águeda e a ampliação do Hospital. No meio deste embate PSD-PS, o Chega já fez aprovar apoios sociais aos bombeiros Novos e Velhos.
Luís Souto ainda não é mais relevante do que Ribau Esteves ou Alberto Souto (PS), este que tentou a reeleição nas autárquicas de 12 de outubro passado, os dois ex-presidentes daquela autarquia que têm disputado o espaço mediático.
Pelo que se tem assistido, Alberto Souto perpetua-se nas redes sociais, que alimenta, enquanto Ribau Esteves não tem de o fazer, bastando para isso o debate dos projetos que deixou por concluir ou por arrancar. Em fim de mandato deu passos de relevo a esses projetos, ou à 25ª hora segundo o PS. Estes dois têm mantido apagada a figura de Luís Souto, este mais benevolente do que Ribau Esteves a lidar com a oposição.
Luís Souto está “longe” de Ribau Esteves que, no início do primeiro mandato em Aveiro, em 2013, já “chegou” com 16 anos de presidência da Câmara de Ílhavo e vasta experiencia político-partidária que Luís Souto não tem. Pode-se dizer até que a 12 de outubro último, nas eleições autárquicas, nem foi Luís Souto que ganhou, mas sim Ribau Esteves, e Alberto Souto não conseguiu ganhar. Luís Souto beneficiou do que Ribau Esteves conquistou ao longo dos 12 anos em Aveiro. Como uma corrida de estafetas em que Luís Souto, último atleta da equipa a correr a prova, recebeu o testemunho com um grande avanço em relação ao segundo da equipa adversária, Alberto Souto, e consegue cortar a meta em primeiro de forma fácil. Mas, voltando à realidade, com a grande diferença de Ribau Esteves ter governado com uma maioria absoluta e Luís Souto, não. Por isso tem cedido ao PS e ao Chega.
Ribau Esteves e Alberto Souto serão eternos adversários, tendo em comum estarem em cena, os dois, há 28 anos. O primeiro, durante 16 anos a presidir â Câmara de Ílhavo e mais 12 em Aveiro e o segundo como presidente da mesma autarquia aveirense, durante oito anos, e os 20 anos seguintes com intervenções regulares depois de o ser, em 2005.
Resumindo a relação entre os dois, Ribau Esteves marca Alberto Souto como o autarca da dívida que deixou. Alberto Souto marca Ribau Esteves como um autarca de obras de manutenção e de erros urbanísticos.
Há uma diferença. Nos próximos quatro anos, Alberto Souto pode voltar à Câmara, a qualquer momento, bastando levantar a suspensão do mandato de vereador enquanto Ribau Esteves não. Mas pode recandidatar-se à Câmara de Aveiro em 2029.
Entretanto, aguarda-se pela sua próxima atividade e, estranhamente, ou não, disse que está a combinar isso com o PSD. O PSD considera que os seus «recursos» e «conhecimento» podem ser úteis no «serviço público», afirmou.

