O Reitor da Universidade de Aveiro, Paulo Jorge Ferreira alerta o Governo que a reforma do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior e da Lei da Ciência «pode desviar a atenção da necessária reforma cultural; a tutela conjunta dos ministérios da Ciência e da Economia coloca dois mestres no convés do mesmo navio, aumentando o risco de conflito e indefinição estratégica; a proteção da ciência fundamental é insuficiente; e os instrumentos financeiros ao dispor da nova agência, a Agência de Investigação e Inovação (AI2), são a soma dos que já existiam na Fundação para a Ciência e TecnologiaFCT e na Agência Nacional de Inovação ANI, que o diagnóstico realizado mostra serem insuficientes».
A proposta do Governo «foca-se numa reorganização administrativa que não é isenta de risco», escreve na revista Linhas.
O Reitor pede alterações ao diploma: «a reforma da cultura e dos processos deve preceder a reforma dos organigramas; é crucial garantir uma dotação orçamental protegida para a Ciência; a identificação dos domínios estratégicos deve ser feita pelas instituições, e não pelo Governo; a tutela da Ciência deve ser exclusiva do ministério da Ciência; e deve
alargar-se o conjunto de instrumentos financeiros de forma a mobilizar eficazmente o conhecimento para a economia».
Entende ainda que é preciso «repensar estratégias, diversificar fontes de financiamento e aprofundar modelos de atuação mais ágeis e cooperativos», considerando «um cenário em que o financiamento tenderá a ser mais competitivo e orientado para resultados, instituições, centros de investigação e investigadores». terão de repensar estratégias, diversificar fontes de financiamento e aprofundar modelos de atuação mais ágeis e cooperativos».
foto Sara Torres

