A campanha eleitoral em Aveiro para as autárquicas de Outubro só não começou oficialmente. O duelo para a Câmara de Aveiro já foi anunciado. Será um Élio contra Souto e a esquerda dividida entre o Bloco de Esquerda e o PCP.
Élio é o candidato da coligação PSD-PP mas será mais do PP do que do PSD. Já foi candidato à Junta de Freguesia de S. Bernardo pelo PP. Élio subiu com a governação de Girão Pereira na Câmara, líder distrital, da altura, do partido e a sua foto estava na parede do edifício da Junta.
Com a entrada de Souto na Câmara, vários casos criaram um fosso enorme separando-o de Élio. Élio não quer uma avenida na freguesia que Souto quer. Se Élio conseguir ser eleito, ajustará contas com Souto e esse é um projecto que fará por afastar. Noutro momento, Élio queria o mundial de andebol em S. Bernardo mas Souto não permitiu alegando por incapacidade financeira.
É o andebol, curiosamente, que começou por unir várias figuras que rodeiam a candidatura de Élio. Élio Maia, Ulisses Pereira, líder da concelhia do PSD e Paulo Maia, coordenador da Sub-Região de Saúde, jogaram juntos no S. Bernardo.
Marques Mendes chegou a ser um nome desejado pelas concelhias, ou apenas pela do PSD e, com o avanço de Élio, ficam ainda pelo caminho nomes como o de Paulo Maia, Ulisses Pereira, Armando Vieira, Capão Filipe ou Fernandes Thomaz. Entre estes, Armando Vieira, no passado, conseguiu vetar o nome de Santana Lopes para candidato em Aveiro, e voltou a falhar, não conseguindo, de novo, ser o candidato do partido.
Souto deve estar preocupado e não está a contar com uma disputa fácil de ganhar. Será mais difícil de ganhar, comparando com as eleições de 1997 e 2001. Mesmo sendo Élio uma figura apenas muito conhecida em S. Bernardo tem um apoio generalizado dos dois partidos e parece ser do agrado geral nas famílias social-democrata e popular.
Élio é visto como um autarca empreendedor, inovador, que gere com eficácia os poucos meios à disposição, com uma relevante acção social e cultural e, quando sair da Junta, deixará a imagem de ter conseguido criado uma comunidade unida.
Souto terá ainda que contar com os partidos à sua esquerda, e, particularmente, com a entrada do Bloco de Esquerda na corrida à Câmara e Assembleia Municipal. Quanto ao PCP faz a aposta do desespero, candidatando à Câmara o seu melhor quadro autárquico, António Salavessa. Já se ouviu dizer que os comunistas correm o risco de perder tudo, Câmara e Assembleia.
Souto tem a imagem de marca de várias intervenções de sucesso, a
nível do planeamento urbano, designadamente, criando uma cidade mais atractiva, mas é acusado de não investir nas freguesias fora do centro urbano e não promover a fixação de empresas. Um dos picos dos dois mandatos é, sem dúvida, a construção do estádio e a recepção do Euro-2004. Fica ainda de Souto, o aumento de taxas e a capacidade de argumentar quando se recusa a assumir facturas.
Alberto Souto ainda não anunciou a sua candidatura mas é como se o já
tivesse feito. Será o último mandato, com a nova lei, e é, definitivamente, o nome do PS à Câmara. O próprio já assumiu que a sua candidatura só “não é oficial”.
Cada intervenção partidária já tem a leitura das autárquicas. Alberto Souto voltou às obras feitas, no Dia do Município e a oposição já ensaia o discurso de campanha.
Da parte do PP, parece não querer dar muito destaque aos números da dívida da Câmara, que diz atingir 142 milhões de euros. Para o PP, não interessará dizer ao eleitor que é grave a Câmara dever tanto dinheiro. “Percebo também que não interessem os números ao público, entendo que sejam apenas sensíveis às obras que vêm na porta da sua rua, mas devemo-nos esforçar por explicar, aqui, neste parlamento, quais as consequências de tais pensamentos e da incapacidade de ler os números”, disse António Grangeia, na Assembleia Municipal.
Mas as contas ocupam parte do discurso do PP, embora também se refira à falta de acesso público às contas, pela Internet, se queixe de serem impedidos de fazerem a “demonstração gráfica ao vivo dos números da nossa CMA a esta AM”, que se “tem procurado esconder, cada vez mais processos de reclamação de dívidas” ou que as contas “não são vistas por um revisor Ofical de Contas”.
Concluindo, diz que a dívida “deverá ser paga no mínimo em 4 mandatos”.
Por fim a primeira mensagem de campanha do PP: “Queremos uma Câmara com uma mais ampla visão estratégica para o desenvolvimento sustentável de Aveiro, que não invista apenas em obras dentro do espaço urbano e de fachada, que não inverta as prioridades, como as freguesias e as habitações sociais”.

