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Universidade investiga vacina contra cancro

O Departamento de Química da Universidade de Aveiro está a caracterizar as estirpes portuguesas da bactéria responsável pela maior parte das úlceras pépticas, das úlceras do duodeno e do cancro do estômago: a Helicobacter pylori e o desenvolvimento de uma vacina é o objectivo último desta investigação coordenada pela UA e levada a cabo em parceria com o IPATIMUP, Universidade do Minho e um Grupo da Universidade de Guelph, do Canadá, líder na investigação sobre a referida bactéria.

A Helicobacter pylori tem sido descrita como sendo uma das bactérias responsáveis por grande parte das doenças gástricas, incluindo o cancro do estômago, o segundo tipo de carcinoma que mais mortes causa no mundo.

Na maior parte dos casos, as doenças gástricas e do duodeno são tratáveis com antibióticos adequados, mas a Universidade de Aveiro quer ir mais longe: contribuir para o desenvolvimento da vacina contra as estirpes que afectam os portugueses. Uma vacinação em massa, na idade infantil, pode vir a reduzir significativamente os índices de cancro do estômago e de úlcera do estômago e duodeno.

Segundo Mário Monteiro, do Canadá, consultor neste projecto financiado pela FCT «Aparentemente, não existem neste momento empresas interessadas em desenvolver a vacina. Em termos económicos, para uma empresa, o desenvolvimento de antibióticos, que se tomarão por largos períodos de tempo, serão um melhor investimento financeiro do que uma vacina, que só se tem que administrar uma ou poucas vezes.

Parece pois lógico que o desenvolvimento de uma vacina contra a Helicobacter pylori seja uma tarefa a levar a cabo por entidades públicas. Na nossa perspectiva, este problema tem que ser considerado um problema de saúde pública, até porque a percentagem de infectados é elevada. É neste sentido que estamos a trabalhar”.

Neste momento, a prioridade da Unidade de Investigação de Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares do Departamento de Química da UA é caracterizar essas estirpes. Segundo Manuel Coimbra, coordenador do projecto, o contributo da UA será ao nível da área da glicobiologia, nomeadamente «na análise das estruturas glicosiladas da Helicobacter pylori.

São estas as estruturas que permitem à bactéria infectar o estômago sem ser detectada pelo nosso organismo. As estruturas glicosiladas desta bactéria desempenham um papel de extrema importância, uma vez que se assemelham às da mucosa gástrica e dos grupos sanguíneos humanos»

«Cerca de dois terços da população mundial e 75 por cento da população portuguesa está infectada com esta bactéria, que nem sempre se manifesta».

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