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Universidade de Aveiro lidera busca de pistas sobre condições para a vida em Marte

Uma investigação liderada por Slavka Carvalho Andrejkovicová, investigadora do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro e da unidade de investigação Geobiociências, Geotecnologias e Geo-engenharias (GeoBioTec)Universidade de Aveiro (UA), em colaboração com a NASA, «ajuda a compreender se o planeta vermelho reuniu algumas das condições químicas necessárias à sua existência», propondo uma nova explicação para a forma «como o azoto, um elemento essencial à vida tal como a conhecemos, poderá ter sido armazenado e transformado em Marte no passado». Nesta investigação, publicada na revista Journal of Geophysical Research: Planets, participaram também Fernando Tavares Rocha, investigador do mesmo departamento e unidade de investigação, investigadores do Goddard Space Flight Center e do Johnson Space Center da NASA, e outras instituições de investigação.
Os cientistas procuram «em que formas químicas o azoto existia e como circulava entre as rochas, o solo e a atmosfera do planeta». O azoto é «indispensável à formação de proteínas e do material genético dos seres vivos e compreender o seu ciclo ajuda, por isso, a reconstruir as condições ambientais de Marte no passado e a avaliar o seu potencial para ter albergado vida».

INFO UA «Até agora, o óxido nítrico detetado durante a análise de amostras marcianas pelo instrumento Sample Analysis at Mars (SAM), instalado no rover Curiosity da NASA, tem sido associado sobretudo à decomposição de nitratos, compostos que contêm azoto. O novo estudo explora uma possível origem adicional para este gás.

Para testar esta hipótese, os investigadores prepararam em laboratório esmectites contendo amónio e aqueceram-nas na presença de percloratos, sais com propriedades oxidantes que também foram identificados em Marte. As experiências foram realizadas em condições semelhantes às utilizadas pelo instrumento SAM para analisar as amostras recolhidas pelo Curiosity.

Os resultados mostraram que, quando aquecidos na presença de percloratos, estes minerais podem libertar vários gases que contêm azoto, incluindo óxido nítrico. Além disso, o padrão de libertação deste gás apresentou semelhanças com o observado pelo Curiosity em amostras recolhidas em dois locais da cratera Gale, denominados Mojave e Confidence Hills.

Estas semelhanças sugerem que o amónio eventualmente presente nos minerais argilosos poderá ter contribuído para o óxido nítrico detetado pelo rover. A hipótese não exclui a explicação anteriormente proposta, baseada na decomposição de nitratos, mas aponta para uma possível fonte adicional do gás.

Se este processo também tiver ocorrido em Marte, os minerais argilosos poderão ter ajudado a armazenar e preservar azoto durante longos períodos, sobretudo em ambientes antigos onde a água interagiu com as rochas. Esta possibilidade abre novas perspetivas sobre o ciclo do azoto no planeta vermelho e sobre as condições químicas que poderão ter existido quando Marte apresentava ambientes potencialmente favoráveis à vida.

Este estudo abre novas perspetivas sobre o ciclo do azoto no planeta vermelho e sobre as condições químicas que poderão ter existido em ambientes marcianos potencialmente habitáveis, contribuindo também para a investigação em Astrobiologia».

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