Os pais e populares do Lugar de Manhouce, em Arrifana, Santa Maria da Feira, fecharam ontem escola básica do primeiro ciclo local a cadeado, como forma de protesto pelo seu anunciado encerramento, noticia o Diário de Aveiro.
«O próximo passo é uma manifestação em frente à Câmara nas comemorações do 25 de Abril.
“Chegou a hora de dizer basta a esta situação”, que há quatro meses espera uma resposta, ou uma solução da Câmara local, explica Eduardo Costa, dirigente da Associação de Pais da EB1 de Manhouce. A escola foi fechada a cadeado – envolto numa massa gordurosa (“consistente”) – e foram afixadas faixas com palavras de ordem contra o seu encerramento já a partir do próximo ano lectivo. À porta, dezenas de crianças empunhando bandeiras negras acompanhadas de muitos pais, davam eco ao protesto que se vai manter nos próximos dias, caso a decisão se mantenha.
“Este é um protesto pelo arrastar da situação, ao contrário do que tem acontecido em outros municípios, como no Porto que recuou no fecho de algumas escolas”, explicou Eduardo Costa. Segundo este responsável da Associação de Pais, o encerramento desta escola, «a melhor de Arrifana», é «um grande erro», é mesmo “um absurdo”.
Ainda de acordo com Eduardo Costa, a directiva do Governo «atinge» apenas as escolas com menos de dez alunos, o que não acontece com esta que tem quatro salas e 38 alunos. O que pais e populares não compreendem como é que a situação não se altera se a Câmara «diz que não fez qualquer proposta para o seu encerramento e o presidente da Junta de Freguesia afirma que esta é a escola de Arrifana melhor equipada». “Esta decisão ultrapassa a própria Carta Educativa”, garante Eduardo Costa. Aliás, dizem, esta decisão é ainda mais incompreensível porque “há escolas com sobrelotação, por causa da má distribuição dos alunos”.
A meio da manhã uma das responsáveis pelo Agrupamento Escolar foi ao local para tentar abrir o cadeado, pedindo a presença da GNR, mas tudo continuou na mesma, porque os populares impediram-na, alegando que ela não tinha competência para tomar uma decisão que compete «ao dono do edifício»: a Câmara Municipal. A própria GNR recusou cortar o cadeado, explicando que apenas poderia dar protecção aos funcionários da Câmara, ou do Centro da Área Educativa (CAE) que ali fossem cortá-lo.
Com este protesto os pais e populares querem que a DREN (Direcção Regional de Educação do Norte) “reavalie a sua decisão e tome a opção correcta de a manter aberta”.
Os pais exigiam a presença dos responsáveis políticos e recusaram sair do local sem que tal acontecesse, começando a fazer “piquetes” de vigilância. Já a meio da tarde as professoras receberam instruções para se apresentarem hoje na EB2/3 de Arrifana, enquanto os alunos deverão dirigir-se para a EB1 da Carvalhosa, cerca de 500 metros acima da escola de Manhouce, segundo a Associação de Pais.
O coordenador do CAE, Manuel Oliveira, não faz comentários sobre este protesto, mas garantiu ao Diário de Aveiro que aquele organismo vai mandar abrir a escola sempre que alguém a fechar. No entanto, ontem, a escola manteve-se fechada todo o dia, porque, segundo Manuel Oliveira, “havia algumas condições que assim o impunham, mas amanhã (hoje) se o cadeado se mantiver no portão, vamos mandar retirá-lo”». (Diário de Aveiro)

