Uma equipa de investigação da Universidade de Aveiro (UA) descobriu que alguns peptídeos experimentais, que são “mensageiros” biológicos, que «podem reduzir significativamente a viabilidade de células de cancro da próstata, abrindo caminho para novas estratégias de tratamento da doença. Segundo os investigadores, estes resultados «abriram uma nova porta na investigação sobre terapias para o cancro da próstata, mostrando o potencial dos bioportídeos como ferramenta para reduzir a viabilidade de células tumorais, mas sublinham que são necessários mais estudos para compreender exatamente como funcionam».
O trabalho é assinado por Renato Rodrigues, Juliana Felgueiras, Bárbara Matos e Margarida Fardilha, do Departamento de Ciências Médicas da Universidade de Aveiro, em colaboração com Vânia Camilo e Cármen Jerónimo, do Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO- Porto), e com Sarah Jones e John Howl, da Universidade de Wolverhampton, no Reino Unido. O trabalho desenvolvido mostra que os peptídeos «conseguem entrar nas células, sendo que um deles apresentou maior capacidade de internalização. Quando aplicados individualmente, cada peptídeo já reduzia a viabilidade das células, mas o efeito foi ainda maior quando os três foram usados em conjunto, diminuindo a viabilidade para níveis de 68 por cento nas células LNCaP e 80 por cento nas PC3».
UA «Durante muito tempo, as fosfatases proteicas, enzimas envolvidas em processos celulares importantes, foram consideradas alvos difíceis de tratar. No entanto, estudos recentes mostram que a fosfatase proteica 1 (PP1) pode desempenhar um papel crucial na progressão do cancro da próstata, aumentando a atividade do recetor de androgénio, mesmo em casos resistentes a tratamentos hormonais.
Para explorar esta possibilidade, os investigadores da UA testaram peptídeos desenhados para mimetizar domínios específicos do recetor de androgénio (AR), atuando como iscos moleculares para a Proteína Fosfatase 1 (PP1), em conjunto com bioportídeos conhecidos como MSS1 e mitoparan, em duas linhas celulares de cancro da próstata (LNCaP e PC3).
Curiosamente, apesar destes efeitos, não se verificaram alterações na expressão do recetor de androgénio ou do antigénio específico da próstata (PSA), dois marcadores associados à doença, sugerindo que os peptídeos atuam por mecanismos ainda por esclarecer».

