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Girão Pereira não fecha a porta à saída do CDS

«Se o modelo de partido se diversificar muito, se fugir muito do projecto inicial a que eu aderi, é natural que tenha de pôr a mim próprio essa questão», disse Girão Pereira quando questionado sobre se alguma vez pensou em abandonar o CDS, noticia o Diário de Aveiro.

“«O dirigente centrista fala ainda em irregularidades nos cadernos eleitorais do partido, defendendo que as eleições directas apenas se realizem em «quatro ou cinco meses»

José Girão Pereira afirma que nunca pensou abandonar o CDS, partido em que milita há 31 anos, mas não fecha completamente a porta a essa possibilidade. «Se o modelo de partido se diversificar muito, se fugir muito do projecto inicial a que eu aderi, é natural que tenha de pôr a mim próprio essa questão», sublinhou, sem deixar de referir a «esperança» de ver o partido «renascer e retomar a credibilidade».

Em entrevista ao programa «A Uma Só Voz», uma parceria entre a Aveiro FM e Diário de Aveiro, o antigo presidente da Câmara de Aveiro e actual membro da Comissão Executiva do CDS/PP fala da situação dos democratas-cristãos como «mais uma crise», não escondendo «alguma frustração e pena» pela «descredibilização» do partido. «Às vezes há a tentação de perguntar se valeu a pena. Eu continuo a pensar que sim, e quero acreditar que o projecto possa ainda ser retomado e possa ter algum papel na sociedade portuguesa», declarou, acrescentando que os democratas-cristãos têm vindo a «perder impacto, organização e influência».

Na entrevista, Girão Pereira mostra-se bastante crítico em relação a Paulo Portas e Raul Almeida. Sobre o líder distrital, lembra a perda de «dinâmica e estruturas» em Aveiro. «Que voz tem tido nos problemas da sociedade aveirense? É a estrutura distrital e local que em primeiro lugar tem de encarnar os problemas, estar inserida na sociedade, ser porta-voz dos problemas da sociedade, ser criativa», avalia.

Quanto a Paulo Portas, é acusado de ter tentado forçar um «golpe de Estado» no partido. «O que aconteceu no Conselho Nacional foi um braço de ferro com quem quer cumprir as regras e os estatutos, uma tentativa clara de forçar um golpe de Estado», salientou, elogiando a actuação do actual presidente do partido. «Ribeiro e Castro estava a fazer um trabalho sério, não entrando no grito histérico, no discurso fácil, na manobra. É uma concepção civilizada e moderna de fazer oposição. Fazer oposição não é desatar aos gritos, é criar um projecto alternativo», afirmou. «Um partido é um projecto de sociedade, não é um projecto do chefe», sustentou ainda.

Girão Pereira diz, por outro lado, que os cadernos eleitorais do CDS/PP estão «muito desactualizados» e comportam várias irregularidades. Alguns militantes já terão falecido e outros mudaram de partido e estão actualmente filiados no PSD e no PS, denunciou. Há ainda «indícios claros» de «duplicação de filiações», isto é, militantes inscritos «em mais do que um concelho», acrescentou.

Girão Pereira defende, por isso, que as eleições directas no partido apenas se devem realizar daqui a «quatro/cinco meses», depois de os apoiantes de Paulo Portas terem originalmente pretendido a convocação do sufrágio para 14 de Abril.

«Como é possível fazer com seriedade umas directas em menos de quatro/cinco meses? Onde é que os militantes de Anadia, que não têm concelhia, vão votar?», exemplifica o histórico dirigente centrista, advertindo que uma votação em meados do próximo mês seria «uma mistificação». – Diário de Aveiro (artigo não acessível on line)

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