A Câmara de Aveiro decidiu deixar de ser accionista da Associação para a Educação e Valorização da Região de Aveiro (AEVA) e revogar a decisão tomada em janeiro de 2011 de doação de terreno para a construção de equipamento contíguo às instalações da Escola Profissional de Aveiro (EPA), «após 10 anos de muitas tentativas» de implementar na AEVA um espaço de diálogo e trabalho de equipa entre os seus associados e uma gestão rigorosa e transparente», segundo comunicado da autarquia difundido este sábado, após reunião privada do executivo.
Tudo começou quando a Câmara não foi «chamada a pronunciar-se pela entrada três novos associados, pessoas singulares, e por existir uma gestão opaca da AEVA e da EPA, fechada em duas pessoas (Cláudia Matos e Jorge Castro) que ocupam simultaneamente múltiplas funções de funcionários, dirigentes, associados, diretores de unidades orgânicas, com fortes indícios de conflito de interesses na gestão da AEVA dos referidos indivíduos, nomeadamente pela utilização da AEVA para contrair empréstimos – um deles de 1,5 milhões de euros para financiar aquisições de empresas (edifícios e operações), da qual os referidos indivíduos são sócios únicos».
A Câmara já comunicou factos ao Ministério Público «para a devida investigação e atuação em conformidade, não havendo mais espaço para a Câmara pertencer à referida entidade, esgotadas que foram as muitas tentativas de alterar o rumo da gestão da AEVA».
Segundo o comunicado, a Assembleia Geral da AEVA de 12 de setembro de 2023, a Câmara opôs-se à proposta apresentada por Cláudia Matos e Jorge Castro de aquisição, pelo valor de 1,5 milhões de euros, da totalidade do capital social e créditos da sociedade E.P.T. – Estudos particulares da Trofa, com recurso a financiamento bancário da AEVA, uma clara situação de conflito de interesses e de utilização da AEVA para cumprir objetivos que lhe são externos e de natureza de interesse pessoal».
«Propuseram, enquanto membros da Direção, e aprovaram, enquanto associados, que a AEVA se endividasse para adquirir, ainda que por indireta via (aquisição da totalidade do capital social da sociedade proprietária do imóvel e, assim, do próprio imóvel), as instalações onde funcionava e continua a funcionar o “Instituto Duarte de Lemos”, estabelecimento de ensino de que é proprietária a “Raisemotions, Lda.”, sociedade que os tem a ambos como únicos sócios e únicos gerentes».

