A Sociedade para o Desenvolvimento do Programa Polis em Aveiro extinguiu-se formalmente a 31 de Dezembro, mas encontra-se ainda em funcionamento, em fase de liquidação, até realizar o que ainda tem em mãos, que é, basicamente, as obras que decorrem desde o Canal do Côjo até à Capitania, noticia o Diário de Aveiro.
«O director-executivo, Matos Rodrigues, espera que sejam concluídas até Março, transferindo as obrigações para a Câmara. Será necessário ainda intervir no parque de S. Roque, devido à degradação, particularmente da zona de estacionamento, devido à «chuva intensa durante os meses de Novembro e Dezembro», como disse Matos Rodrigues ao Diário de Aveiro. Aliás, esta reparação deverá obrigar ao encerramento da zona ao trânsito automóvel.
As obras a realizar na zona da antiga Lota, a construção da ponte viária junto à eclusa da Lota e centro interpretativo da marinha da Troncalhada serão empreitadas a transferir para a Câmara, que assumirá a gestão destas obras da Polis. Nesta altura, a sociedade «já não pode lançar novos contratos», explicou Matos Rodrigues.
Espera que a sociedade «encerre definitivamente em Março», mas admite que tudo dependerá do «andamento dos trabalhos». Em Março, a sociedade atingirá «o equilíbrio financeiro», ou seja, prolongando-se durante mais tempo, «passa a ter prejuízo», alerta Matos Rodrigues, uma vez que «os custos de manutenção (a partir de Março) não estão orçamentados».
Entretanto, a sociedade continua a assumir os processos relativos aos concursos públicos daquelas três empreitadas que se encontram em fase de selecção das empresas, um processo que será concluído durante este mês de Janeiro, como espera.
Depois, a sociedade transfere as três empreitadas para a autarquia, passando a promover um conjunto de obras que totalizam um investimento de cinco milhões de investimento. As candidaturas foram aprovadas no âmbito do actual III Quadro Comunitário de Apoio, e a Câmara, como «co-promotor», terá de despender 1,3 milhões de euros, assumindo assim uma «transferência de obrigações».
Com a passagem das responsabilidade das obras para a Câmara, o município cumpre parte da realização do capital social que deveria ter acontecido em 2004. Além dos 1,3 milhões faltará ainda um milhão para completar a realização do capital camarário para a sociedade, um valor que a Câmara se comprometeu a realizar durante este ano. Se tivesse realizado a sua parte do capital logo no princípio da sociedade, «as obras teriam sido iniciadas há mais tempo», conclui Matos Rodrigues.
Eixo nuclear O investimento na zona da antiga Lota é considerado o «eixo nuclear da intervenção do Programa», de «maior expressão da intervenção do Polis na cidade de Aveiro». Terá um eixo longitudinal e uma rua de estruturação da área habitacional. «A alimentação desta estrutura faz-se através de duas ligações fundamentais: pela nova ponte sobre o canal das pirâmides (associada à reformulação da comporta e eclusa) e pela rua de ligação ao centro da cidade, através do atravessamento do canal de S. Roque (nova ponte), segundo a descrição do projecto.
A participação da Câmara naquela zona será de «consolidação do interface do terreno com a água» envolvendo entre outras intervenções arranjos e construção de um passadiço com uma largura de cerca de 10 metros, que irá contornar o espaço entre a Ponte de S. João e a antigas instalações do remo dos Galitos. É ainda espaço público a zona central e os jardins temáticos
Os privados representarão a grande fatia no investimento nesta zona, que atingirá os 100 milhões de euros num prazo que pode chegar aos quatro anos. A Administração do Porto de Aveiro é proprietária dos terrenos, cujos 120 hectares estão avaliados em cerca de cinco milhões de euros, e fará uma hasta pública sendo que os privados estão obrigados a seguir o plano da nova urbanização a erguer.
Para a zona da antiga lota do Porto de Aveiro, o Polis prevê áreas de habitação, comércio e serviços, uma unidade hoteleira e equipamentos culturais e desportivos.
Está previsto um hotel (que terá entre 120 e 180 quartos), um centro de congressos, o eco-museu Ria de Aveiro, uma torre panorâmica, uma estação fluvial (que aproveitará o edifício da lota), os jardins temáticos, equipamentos desportivos e culturais, uma ponte viária (rotativa ou elevatória) que ligará a zona ao museu-marinha da Troncalhada.
Derrocada por reparar Os custos de reparação da derrocada de parte do muro junto ao Forum, serão assumidos pela Câmara. Segundo Matos Rodrigues, a sociedade Aveiro-Polis actua neste tipo de intervenção apenas em «casos de emergência» além de que, segundo o director-executivo, «houve um atraso na definição da solução».
Aliás, refere que o custo da reparação, que atingirá 400 mil euros «ultrapassa as capacidade da sociedade» e comparando, é «metade do custo do arranjo dos canais da Ria» segundo Matos Rodrigues.
Neste caso particular, «a situação é delicada» pela vizinhança de um edifício de habitação e da Capitania, merecendo por isso «cuidado na solução técnica a aplicar», disse.» (Diário de Aveiro)

