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UA coordena projeto europeu de seis milhões para combater a desertificação

O TERRASAFE, um projeto de seis milhões de euros para combater a desertificação na Europa, tem a coordenação científica de dois investigadores da Universidade de Aveiro (UA). Jacob Keizer e Sofia Corticeiro do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) e das unidades de investigação Geobiociências, Geotecnologias e Geo-engenharias (GeoBioTec) e Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) coordenam desde 1 de junho de 2024 este projeto europeu, de avaliação do «potencial de soluções inovadoras para combater a desertificação».

É financiado pelo programa Horizonte Europa, no âmbito da Missão Solo (“Um Pacto para os Solos na Europa”), um consórcio de 18 entidades de 12 países da Europa e do Norte de África. Neste trabalho de restauro de solos, a UA é «também a instituição proponente do TERRASAFE.PT, um projeto nacional que adapta as metodologias e soluções do TERRASAFE às necessidades específicas do interior do país». Sofia Corticeiro coordena, contando com financiamento do programa Promove – O Futuro do Interior (Fundação “la Caixa”, com FCT e BPI). Entre 2025 e 2027, com execução em concelhos de Idanha-a-Nova, Castelo Branco e Nisa, em parceria com a AFLOBEI – Associação de Produtores Florestais da Beira Interior, o objetivo é «reduzir a degradação do solo, aumentar a disponibilidade de água e capacitar as comunidades locais, envolvendo-as, a par dos decisores políticos, em todas as fases do processo».

O Observatório Nacional da Desertificação (2024) contabiliza 58% do território de Portugal continental suscetível à desertificação, sobretudo no Sul e no interior das regiões Centro e Norte enquanto a COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) terminada a 28 de agosto (reuniu delegações de 197 países na Mongólia, sob o lema “Restaurar a Terra. Restaurar a Esperança”) enquanto Portugal prepara a revisão do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PANCD).

Em cinco países, o TERRASAFE aborda os principais processos de desertificação: declínio da vegetação na Roménia, degradação do solo no Chipre (declínio do teor de matéria orgânica), salinização do solo na Tunísia, escassez de água em Espanha e despovoamento em Itália.

Pretende capacitar as comunidades de resiliência aos riscos da desertificação, com soluções inovadoras sociais, tecnológicas e/ou baseadas na natureza, próximas do mercado ou já no mercado, por um lado, e, por outro, ajustadas às condições específicas dos cinco países pelas empresas parceiras do TERRASAFE».

«Sistemas comunitários de compostagem, já começaram a ser implementadas, enquanto biochar, biohidrogel, solo artificial e sistemas de monitorização contínua da humidade do solo já foram aplicados/instalados no solo em vários campos agrícolas e florestais, cujos proprietários/gestores são atores locais envolvidos ativamente no projeto», segundo a UA.

Sofia Corticeiro valoriza trabalhar com as comunidades locais: «No interior de Portugal, o combate à desertificação decide-se com quem vive a terra. O TERRASAFE.PT leva a estes territórios soluções testadas à escala europeia e trabalha-as com as comunidades e os autarcas, para que resultem no contexto local».

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