O futuro Centro de Inovação e Tecnologia em Aquacultura (CITAQUA), em fase de conclusão de construção na Gafanha da Nazaré, Ílhavo, está preparado para a «prevalência crescente de parasitas em espécies com elevado valor comercial, nomeadamente bivalves, motivado pelas alterações climáticas em curso», segundo comunicado da Universidade de Aveiro (UA).
Associado ao ECOMARE, um centro de investigação e reabilitação de animais marinhos, gerido pela UA, o CITAQUA-ECOMARE irá beneficiar de «sistemas de última geração para a realização de estudos de histologia e para a simulação de ondas de calor, em ambiente aquático e aquando da exposição ao ar durante os períodos da baixa-mar. Estes sistemas de simulação (12 no total) permitirão realizar estudos científicos mais realistas que tornarão possível desenhar estratégias inovadoras para a adaptação da produção de espécies marinhas de interesse aos oceanos das próximas décadas».
A produção nacional de bivalves «tem sofrido prejuízos – que se podem ainda agravar – com eventos climáticos extremos decorrentes das alterações climáticas, tais como ondas de calor e precipitação anormalmente elevada em curtos
períodos». A produção destes seres vivos, segundo Ricardo Calado, gestor do projeto CITAQUA, «típicos dos níveis
tróficos mais baixos, ou seja, na base das cadeias alimentares marinhas, é considerada prioritária pela Comissão Europeia e pela Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030, merecendo assim uma atenção redobrada por parte do CITAQUA-ECOMARE.
O CITAQUA, vizinho do ECOMARE, nas imediações do Jardim Oudinot, é o polo na Gafanha da Nazaré da Rede Hub Azul, Rede de Infraestruturas para a Economia Azul apoiada pelo PRR totaliza um investimento de cerca de 11,5 milhões de euros, financiado pelo PRR, «equipado com equipamentos científicos de última geração e únicos na Península Ibérica».
Algum deste equipamento científico, embora otimizado para a análise de produtos marinhos, pode ser igualmente utilizado na análise e certificação de outros tipos de produtos alimentares, noutras matrizes biológicas e geológicas, em diversos tipos de materiais, baterias e componentes eletrónicos.
Também se perspetiva a utilização do laboratório polivalente para estudos de recuperação dos ambientes marinhos, como a reprodução sexuada de corais de águas tropicais e de águas frias (incluindo ambientes profundos) que permitirá obter uma maior diversidade genética e, logo, maior adaptabilidade aos ambientes marinhos em mudança, dos organismos destinados ao
restauro ecológico.
Para além do CITAQUA-ECOMARE, os investimentos da Rede Hub Azul incluem dois polos em Leixões, um polo em Peniche, Oeiras e Olhão, assim como duas “escolas azuis” (a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique e o FOR-MAR).

