No processo da escolha das distinções honoríficas a atribuir no dia do feriado municipal, a 12 de maio, o PS considera «inadequado que algumas das propostas incluídas na lista do presidente da Câmara tenham origem em sugestões apresentadas pelas próprias entidades, ou por instituições dirigidas pelos homenageados. Uma distinção desta natureza deve resultar de uma avaliação independente, ponderada e institucional, e não de processos que possam ser percebidos como autoproposta, autopromoção ou influência direta dos potenciais agraciados». Por esse motivo, os vereadores do PS «não subscreveram os nomes propostos nestas condições», segundo comunicado da estrutura concelhia socialista de Aveiro.
Concluída a lista final, o PS diz ainda que «regista-se mais um episódio de total impreparação na gestão da autarquia, transformando um ato executivo, que sempre foi unânime e bem gerido, numa ocorrência que em nada dignifica o municipio» além de considerar que a atribuição das distinções «não deve ser apropriada por uma maioria política conjuntural, mas antes construída com sentido de comunidade, respeito pela diferença e reconhecimento da diversidade de contributos que fazem Aveiro». Está em causa, segundo os socialistas, a «metodologia e a tentativa de captura desta cerimónia pelo presidente da Câmara».
Mas as críticas do PS são mais. «Poucas horas antes» da reunião de Câmara desta terça-feira que decidiu as distinções, o presidente da autarquia, Luís Souto, «apresentou uma lista com 13 distinguidos incluindo apenas uma das propostas apresentadas pelo PS». Para os socialistas, «fê-lo em desrespeito pelo Regimento em vigor, que exige a disponibilização dos documentos a discutir com uma antecedência mínima de 48 horas».
Antes, os vereadores do PS foram «surpreendidos com uma lista de 18 distinguidos, apresentada sem discussão prévia», mas defenderam que a lista final «deveria manter uma dimensão equilibrada e simbolicamente coerente» e propuseram um «grupo final de nove entidades ou individualidades, correspondendo a um homenageado por cada vereador para preservar a solenidade da cerimónia, garantir equilíbrio institucional e manter o prestígio das distinções atribuídas no feriado municipal. Esta solução foi rejeitada pelo presidente da Câmara». O comunicado do PS lembra que «os últimos 10 anos, o número médio de distinguidos foi de cerca de 4 individualidades ou entidades por ano».
O PS ainda «insistiu em apresentar três individualidades e uma entidade coletiva para homenagem» sendo que «todas as pessoas indicadas pelo PS são politicamente distintas do PS» mas «apenas uma foi aceite pelo Presidente da Câmara» enquanto concordaram «sem reservas, com seis nomes apresentados pelo Presidente da Câmara».
Há um «atropelo à tradição plural, institucional e consensual que sempre marcou este processo de escolha» e uma «intransigência do Sr. Presidente face às propostas e sugestões apresentadas pelos vereadores do PS» e, por isso, a eleição dos distinguidos em 2026 «não será, infelizmente, unânime, ao contrário do que sempre aconteceu». Os socialistas lamentam ainda que Luís Souto «não respeitou a pluralidade da comunidade aveirense, nem reconheceu a mais valia da diversidade de visões, sensibilidades, noções de serviço, mérito e valor para a cidade».
Os vereadores dizem que «não está em causa o respeito pelos homenageados, nem o reconhecimento do mérito das pessoas e entidades distinguidas».

