InícioAveiroDesmantelada rede de imigração ilegal, buscas em Estarreja

Desmantelada rede de imigração ilegal, buscas em Estarreja

Cinco pessoas foram detidas em Espanha, «responsáveis pela introdução no mercado de trabalho ibérico de centenas de imigrantes ilegais, maioritariamente provenientes dos países da América do Sul», durante a operação policial “Caravela” da Polícia Judiciária, realizada em conjunto com a Polícia Nacional de Espanha, envolvendo dezenas de mandados de busca domiciliárias em Estarreja, Vila Nova de Gaia e Valongo informou a PJ esta sexta-feira

Além das detenções, foram apreendidos «milhares de documentos, dos quais se destacam várias contrafações de autorizações de residência portuguesa em suporte digital, cartões de cidadão espanhóis falsos, documentos de destacamento da Segurança Social e certificados de saúde para o trabalho, material informático, carros de luxo, cerca de 700 mil euros, registando-se em Espanha movimentos de entrada e saída de aproximadamente 40 milhões de euros». Todas as contas bancárias das empresas visadas foram apreendidas, também de acordo com, a Judiciária.

O relato da PJ refere que as sedes de empresas estão localizadas em dois gabinetes de contabilidade, em Vila Nova de Gaia, «aos quais os suspeitos recorriam para efeitos de recolha de documentação de teor intelectual falso, junto da Segurança Social e da Autoridade Tributária, utilizadas posteriormente na instrução do processo de concessão de autorização de residência dos imigrantes ilegais, constando como residentes nos ditos gabinetes de contabilidade». Com a prova apreendida nas buscas a PJ constatou que «a gestão das empresas era toda realizada em Espanha».

Envolvendo 20 inspetores da Polícia Judiciária, a operação foi realizada no âmbito de investigações «dirigidas a condutas que tipificam os crimes de auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal, angariação de mão-de-obra ilegal, associação criminosa, falsificação de documentos e, eventual, tráfico de pessoas para exploração laboral».

Realizada sob a égide da Agência Europeia para a Cooperação Judiciária Penal (EUROJUST), a operação realizou-se em Portugal e Espanha, a investigação apurou «que um grupo de pessoas constituiu várias empresas com o objetivo de integrar no mercado de trabalho europeu cidadãos de países terceiros, sem serem titulares do necessário e obrigatório visto para o efeito (…) angariados nos seus países de origem com a promessa de virem trabalhar para a Europa em atividades especializadas, acabando por ser colocados em situação de grande vulnerabilidade social, com a violação reiterada de direitos do trabalho e das normas de segurança».

Segundo a PJ, os imigrantes «eram regularizados em território nacional, mediante a concessão de autorização de residência, solicitada e emitida através do mecanismo de manifestação de interesse, entretanto revogado em junho de 2024, com a apresentação de documentação falsa, atestando que residiriam e trabalhavam em Portugal, embora residissem e trabalhassem no Reino de Espanha, a mando das empresas do grupo».

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