InícioAveiroSilêncio da maioria revolta vereadores do PS

Silêncio da maioria revolta vereadores do PS

Os vereadores do PS na Câmara de Aveiro insurgiram-se ontem contra a falta de respostas da maioria PSD/CDS a um conjunto de questões apresentadas ontem durante a reunião do Executivo, noticia o Diário de Aveiro.

«Nuno Marques Pereira pediu esclarecimentos sobre a pista de remo, o «ferry-boat» para São Jacinto, os táxis marítimos, a Praça do Peixe, as privatizações de empresas municipais ou a unidade de tratamento mecânico-biológico a construir no concelho, mas as respostas limitaram-se a curtas declarações pouco reveladoras provenientes do presidente da autarquia e dos vereadores da maioria.

Marques Pereira revelou-se «preocupado» com o teor das explicações prestadas pelos homens do PSD e do CDS e revoltou-se contra aquilo que designou por «política do facto consumado», mas seria o seu colega de partido Rocha Andrade a exibir a maior dose de aborrecimento face ao comportamento da maioria. Num ‘sermão’ dirigido à equipa de Élio Maia, o socialista disse sentir-se «politicamente desconsiderado» e acusou a coligação de «não dar qualquer satisfação» aos vereadores socialistas. «Valerá a pena estar aqui?», interrogou-se, lembrando nunca ser chamado a pronunciar-se sobre temas «relevante» da actualidade municipal.

«Há duas câmaras: a da maioria e a da minoria, que é vista como um apêndice menor», censurou, advertindo PSD e CDS de seguirem por um «mau caminho».

A construção de um centro de tratamento mecânico-biológico de resíduos sólidos em Aveiro foi um dos assuntos que mereceu maior insistência por parte do PS. Marques Pereira denunciou que o presidente da Junta de Freguesia de Eirol, Manuel Vieira Santos, não tenha sido informado sobre a localização do equipamento na localidade, acrescentando ser importante conhecer as «implicações» da unidade em áreas como o ambiente e a rede viária.

Para o socialista, são questões que estão a ser «ocultadas» pela maioria, defendendo a realização de uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal ou de um fórum para a discussão do projecto. Lembrou ainda, para vincar a necessidade de lançar um debate público sobre o tema, que, no mandato anterior, a possibilidade de a unidade ser instalada em Nossa Senhora de Fátima provocou um «levantamento popular» na freguesia.

Élio Maia salientou que o executivo pretende «alargar a reflexão» a todos os partidos e instituições da sociedade aveirense, mas recusou-se a tecer mais comentários sobre esse projecto. «Na altura própria o assunto virá a reunião de Câmara», disse.

Sobre os táxis marítimos, o vereador da maioria Pedro Ferreira revelou a existência de estudos sobre a navegabilidade das embarcações, mas não fornecendo esclarecimentos sobre o seu conteúdo.

Lembrou, porém, as dificuldades com que o município tem deparado para colocar os barcos em funcionamento, nomeadamente as exigências colocadas pela Capitania do Porto de Aveiro de pessoal de apoio nos cais, com implicações nos custos do projecto.

Marques Pereira reclamou que os táxis marítimos – um projecto iniciado no mandato do anterior líder do município, o socialista Alberto Souto – fossem colocados a navegar nos canais urbanos da ria, lembrando que as embarcações se estão a «degradar» por se encontrarem actualmente sem utilização no estaleiro onde foram construídos.

O autarca socialista reconheceu que se trata de «protótipos sujeitos a alterações», mas denunciou que o Departamento de Mecânica da Universidade de Aveiro, que concebeu os veículos, não tenha voltado a ser procurado para colaborar no seu aperfeiçoamento.

A maior novidade ontem divulgada pela maioria partiu de Élio Maia, que adiantou que a Câmara se está a bater para que o «ferry-boat» para São Jacinto comece a fazer as travessias a partir de 1 de Agosto. Trata-se, de acordo com o edil aveirense, de uma data simbólica dado que nesse dia se completam 51 anos desde que o então governador civil de Aveiro, Vale Guimarães, enviou o primeiro ofício ao Governo solicitando a colocação de um barco para ligar as margens da ria. – Diário de Aveiro (notícia não acessível on line)

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