Um artigo de Oceanografia Física de investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), da Universidade de Aveiro (UA), foi publicado na revista «Geophysical Research Letters», da American Geophysical Union (AGU), com um «Editor’s Highlight».
Os investigadores do CESAM, Ana Teles-Machado, Alvaro Peliz e Jesus Dubert, assinam o artigo juntamente com Ricardo Sanchez, investigador do Instituto Espanhol de Oceanografia de Santander.
Segundo a UA, A Geophysical Research Letters «publica curtos e concisos artigos de investigação que apresentam avanços científicos que possam ter influência na investigação de outros cientistas».
O highlight está disponível aqui e pode ser lido em Português: Contracorrente na Costa Sudoeste da Península Na costa Sudoeste da Península Ibérica surge por vezes uma corrente de água quente, ao longo da costa do Golfo de Cadiz e da Costa Algarvia. Frequentemente esta corrente contorna o Cabo de São Vicente e propaga-se para Norte ao longo da costa oeste de Portugal, transportando águas quentes pelo menos até Sines.
A corrente é um mecanismo importante no que diz respeito a trocas de água entre a costa sul e a costa oeste da Península Ibérica, influenciando o transporte e recrutamento de larvas na costa sudoeste portuguesa.
Neste estudo foram realizadas várias experiências usando um modelo numérico do oceano (ROMS), umas configurações realistas e outras idealizadas, com o objectivo de separar os vários processos importantes na formação e propagação da corrente costeira. Foi estudado um episódio da corrente, ocorrido em Agosto do ano 2000, identificado em imagens de satélite da temperatura da superfície do mar.
A corrente é identificada como uma banda de água quente a propagar-se para oeste ao longo da costa sul e posteriormente para norte ao longo da costa oeste, após ter contornado o Cabo de São Vicente. Na configuração realista a corrente é reproduzida nos mesmos dias e com bastantes semelhanças ao oceano real. Através das experiências idealizadas foi possível separar alguns dos processos anteriormente referidos como possíveis responsáveis pelo desenvolvimento da corrente.
Os resultados mostram que a corrente quente se gera em todos os cenários, com excepção daqueles em que a componente do vento este-oeste é suprimida. Os autores concluíram que esta contra-corrente é forçada pelo vento em resposta a ventos fortes de este no Golfo de Cadiz e oeste do Mediterrâneo, frequentemente designados por levantes.»

