InícioAveiroQuando o 16 de Maio já foi Feriado em Aveiro

Quando o 16 de Maio já foi Feriado em Aveiro

A reposição do monumento à Liberdade no centro da cidade e o lançamento do livro Cabeças Cortadas, uma edição da Câmara de Aveiro, marcam a celebração do dia 16 de Maio, que já foi o dia feriado de Aveiro.

Actualmente, o feriado municipal de Aveiro é assinalado a 12 de Maio data da morte de Santa Joana Princesa, padroeira de Aveiro

Os dois momentos fazem parte da programação das Festas do Município
A reposição do Monumento à Liberdade está marcada para as 18.00 horas, na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, no relvado do separador central em frente à Antiga Capitania.

Segundo a Câmara, «apesar da sua simplicidade, enquanto peça escultórica, a “pedra” detém para a população aveirense um forte simbolismo, motivo esse que levou a que fosse sempre respeitada e que houvesse quem pelasse pela sua devida valorização.»

Para as 18:30 horas está marcado o lançamento do Livro “Cabeças Cortadas – Aveiro e memória do 16 de Maio de 1928”, de Ana Clara Correia, na Biblioteca Municipal de Aveiro, uma edição da Câmara Municipal.

À noite, pelas 21.30 horas, haverá um espectáculo de Dança e Poesia pela Lara Pereira e Grupo Poético de Aveiro nos Claustros da Misericórdia.

«Procurando expressar o ideal de liberdade que caracteriza os aveirenses foi planeada a construção de um Monumento à Liberdade cuja primeira pedra seria lançada a 17 de Maio de 1928, por ocasião da passagem do primeiro do centenário da Revolução de 1828, em que um conjunto de aveirenses assumira um papel de relevo e pelo qual viria a ser sacrificado. Em causa estava a defesa dos ideais liberais perante a investida absolutista de D. Miguel que acabaria por triunfar até 1834.
Esta primeira pedra permaneceu longos anos no separador central da Avenida Dr. Lourenço Peixinho sem que o restante monumento fosse erigido. De tal forma foi marcante que a designação de “a pedra” assumiu a expressão pela qual foi sendo amplamente referenciada na documentação e na imprensa local. De certa forma depreende-se que, aquele que seria o ponto de partida para um monumento, veio a tornar-se, ele próprio, numa peça escultórica como o revela a inscrição À Liberdade 16-5-1928 | 16-5-1974 que lhe foi aposta nesse ano de grandes mudanças políticas em Portugal. Duas décadas depois realiza-se uma intervenção mecânica da autoria do escultor José Maria Lopes que lhe acrescenta elementos metálicos».

«O livro versa o levantamento militar e civil ocorrido em Aveiro a 16 de Maio de 1828, organizado pelo desembargador Joaquim José de Queiróz (avó de Eça), numa manifestação de apoio ao movimento liberal-constitucional e a D.Pedro, em plena época das lutas liberais e da disputa fraticida entre D. Pedro e D. Miguel.

Prisões, condenações, fugas, morte por garrote, decepação das cabeças dos executados, exposição das mesmas em frente à casa das famílias, etc, foram episódios que mancharam de sangue e de terror este período do séc. XIX aveirense.

Esta data que teve já honras de feriado municipal, foi motivo de tensão entre o Estado Novo e a CMA e entre as facções ideológico-partidárias locais no pós 25 de Abril».

Conhcer a história em Separata da revista “Aveiro e o seu Distrito”, 1976

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