A associação ambientalista Quercus pretende comprar um terreno na freguesia de Belazaima do Chão, concelho de Águeda, com o objectivo de aí criar uma micro-reserva destinada a proteger a bio-diversidade do local, noticia o Diário de Aveiro.
«A associação ambientalista Quercus pretende comprar um terreno na freguesia de Belazaima do Chão, concelho de Águeda, com o objectivo de aí criar uma micro-reserva destinada a proteger a bio-diversidade do local.
A propriedade situa-se no Cabeço Santo, na Serra do Caramulo, encontrando-se pejada de eucaliptos. Segundo Fernando Leão, vogal da direcção do núcleo regional de Aveiro da Quercus, nos últimos anos o eucaliptal tem-se expandido em toda aquela área, afectando a diversidade da flora.
O objectivo da instituição ecologista é adquirir um terreno que ainda constitui uma «bolsa de bio-diversidade», possuindo alguns exemplares de medronheiros, urzes, tojos ou gilbardeiras.
Trata-se de uma propriedade privada que o dono está disponível para vender. O proprietário e o Fundo para a Conservação da Natureza da Quercus já terão acordado um valor para a transacção, sendo agora necessário angariar a verba necessária junto de empresas e entidades locais.
A compra apenas será consumada com o dinheiro de donativos atribuídos à Quercus, advertiu Fernando Leão.
Apesar de ainda não estar na posse da associação ambientalista, o terreno já tem sido objecto de algumas intervenções de limpeza e de manutenção da flora que se pretende defender.
O trabalho da Quercus consiste inicialmente na erradicação das espécies infestantes, nomeadamente acácias. «Esta é a fase mais complicada. São plantas difíceis de erradicar, já que existem milhões e milhões de sementes», explicou o dirigente local dos ecologistas, que confia que, a partir daí, o próprio ecossistema se vá regenerando. A fase seguinte é a plantação de carvalhos, acrescentou ao Diário de Aveiro.
A Quercus vive, para este tipo de operações, da ajuda de pessoal voluntário, que escasseia nos tempos que correm.
O trabalho da associação naquela zona do concelho de Águeda poderá estender-se a um terreno que é propriedade da Celbi, empresa de pasta de papel, onde ainda não existem eucaliptos.
A criação das micro-reservas da Quercus é da responsabilidade do Fundo para a Conservação da Natureza (FCN), que tem como principais fontes de financiamento os donativos de cidadãos particulares e de empresas e a venda de materiais de promoção.
A prioridade é a criação de uma rede de micro-reservas biológicas, pequenas áreas protegidas, raramente com mais de 20 hectares. O conceito de micro-reserva foi inicialmente implementado por Emílio Lumbreras, desde 1992, com o apoio do Governo Autonómico da Comunidade Valenciana. O conceito está a generalizar-se na Europa, sobretudo na conservação de espécies raras e ameaçadas da flora.
Segundo Fernando Leão, na zona de Aveiro existem «muitas áreas com elevado valor natural onde interessava criar micro-reservas», mas «ou são muito caras ou os proprietários não querem vender».
No distrito de Aveiro apenas existe uma micro-reserva, na Serra da Freita, em Arouca. A preservação deste espaço (uma turfeira) resulta de um protocolo celebrado entre a Quercus, a Junta de Freguesia de Arões e a Comissão de Compartes da Aldeia de Côvo». (Diário de Aveiro)

