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A Câmara «pôs a carroça à frente dos bois» – PS

O vereador do PS, Marques Pereira, acusa a Câmara Municipal de ter posto «a carroça à frente dos bois» e de «mandar a bola para a frente» no que concerne ao alargamento dos horários dos bares da zona da Praça do Peixe e Cais dos Remadores Olímpicos, noticia o Diário de Aveiro.

«O autarca socialista, juntamente com outros dois vereadores do mesmo partido, votaram a favor desse regime experimental, na condição da Câmara auscultar e obter a aprovação da parte da Junta da Vera Cruz, PSP e bombeiros. Como isso não aconteceu, gerou-se nos últimos dias alguma confusão e um certo descontentamento na praça pública, quer por parte das entidades, quer por parte dos moradores.

O documento foi apresentado e aprovado na reunião privada do Executivo, na segunda-feira passada, e visa a alteração dos horários em regime experimental, de hoje até 15 de Setembro. Assim, de domingo a quinta-feira o encerramento passa a ser às 3 horas e às sextas-feiras, sábados e vésperas de feriado uma hora mais tarde.
Apesar da Coligação PSD-CDS/PP estar representada em maioria no Executivo, Marques Pereira salienta que «o interesse dos moradores tem necessariamente de ser ponderado e protegido», considerando que «o direito ao descanso é tão legítimo como o de criar lucro aos senhores dos bares».

Para o autarca socialista «devia ter havido prudência» nesta matéria e «ter-se feito alguma pedagogia junto dos moradores, informando-os de que se trata de uma situação experimental e temporária». Em conclusão, refere que «não se fez o trabalho de casa, nem se agiu com prudência». O autarca aguarda agora pela reunião pública do Executivo, que se realiza na próxima segunda-feira e na qual pretendem queixar-se o presidente da Junta da Vera Cruz, João Barbosa, e alguns moradores do Bairro da Beira-Mar.
Maria da Lurdes Sequeira, de 73 anos, moradora naquele bairro, diz-se contra o alargamento do horário, alegando que se há distúrbios, então «agora deverão aumentar, porque quem anda na noite passa mais duas horas a beber álcool».

«Sou do tempo que à uma hora da manhã estava tudo parado, porque não havia bares. Não concordo com o encerramento às 4 horas, pois se até agora fazem barulho até às seis horas, imagino o que vai acontecer com o novo horário», perspectiva Maria Manuela Martins, de 73 anos.

Junta Glória não se pronuncia Na freguesia da Glória, sobretudo na zona do Alboi, também existem diversos bares. No entanto, o presidente da Junta, Fernando Marques, diz que até ontem não tinha recebido qualquer «manifestação de agrado ou desagrado» Assim sendo, prefere não se pronunciar sobre a matéria.

Associação de Bares favorável A Associação de Bares de Aveiro tem mantido um diálogo constante com a autarquia, segundo o vice-presidente, António Peres. «O que a Câmara fez foi repor a legalidade e colocar de novo Aveiro no roteiro da noite em Portugal», refere o dirigente, recordando que «o alargamento de horário está inserido dentro daquilo que é previsto pelas leis nacionais e pelo Regulamento aprovado pela Assembleia Municipal de Aveiro, a 30 de Julho de 1997». O vereador Marques Pereira defende, no entanto, que «acima da Lei funciona o bom senso e a prudência».
António Peres recorda que desde Abril tem havido alargamentos pontuais de horários e que «a população nem sequer se apercebeu, porque os focos de conflitos diminuíram».

Em resposta às discordâncias manifestadas pelo presidente da Junta da Vera Cruz, publicadas na edição de ontem, António Peres refere que a «sua preocupação como autarca devia ser defender os empresários» daquela zona. «Não o vemos preocupar-se com problemas mais importantes, como o aumento da prostituição e da toxicodependência», acrescenta.

António Peres também não se conforma com a posição da PSP – que não concorda com o novo horário , «quando em Ovar, Santa Maria da Feira e São João da Madeira os estabelecimentos de restauração e bebidas funcionam até às 4 horas e, em Espinho, até às 6 horas». «O que pedimos apenas é que nos deixem trabalhar, numa zona que já foi um antro de prostituição, criar mais postos de trabalho e riqueza para o país», conclui. (Diário de Averio)

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