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Utentes contra portagens na A17 e na A29

A criação de um «blog» na Internet onde em breve será colocado um abaixo-assinado foi a primeira iniciativa de um movimento cívico contra as portagens na A17 e na A29, ontem apresentado em Aveiro, noticia o Diário de Aveiro.

«Manuel Silva, um electricista de 67 anos residente em Ovar, tem de se deslocar duas vezes por semana a Espinho «por razões de saúde». Para esse trajecto recorre à A29, uma das vias sem custos para o utilizador (SCUT) onde o Governo pretende introduzir portagens. Miguel Bento, engenheiro agrónomo de Albergaria-a-Velha, é utilizador frequente, por motivos pessoais e profissionais, da A17, outra das SCUT que deixará de ter circulação gratuita.

São dois dos elementos que integram a recém formada Comissão de Utentes «A17 e A29 Sem Portagens», ontem apresentada em Aveiro. Do núcleo fundador do movimento cívico fazem ainda parte cidadãos de Aveiro, Estarreja, Ílhavo e Espinho, mas o objectivo é criar um «efeito ‘bola de neve’» entre as populações do distrito, salientou o operário fabril espinhense Justino Pereira.
Para já, a comissão é formada por dez pessoas. «Sozinhos não iremos resolver nada, mas era preciso alguém tomar a iniciativa. Este é o ponto de partida e a partir de agora teremos a força que a população nos der», realçou.

A primeira iniciativa foi a criação de um «blog» na Internet (a17ea29semportagens.blogspot.com), onde em breve será colocado um abaixo-assinado contra o pagamento de taxas de circulação na A17 (Aveiro/Mira) e na A29 (Estarreja/Porto). Outras acções serão anunciadas nas próximas semanas, prometeram os dinamizadores da comissão. Uma delas poderá ser a realização de um percurso de automóvel na Estrada Nacional 109, para demonstrar que aquela via não é uma alternativa válida às duas SCUT.

Um dos principais argumentos do movimento de cidadãos diz respeito ao «sobrecusto» que as portagens representariam para os utilizadores. «Seria quase um novo imposto», referiu o aveirense Ivar Corceiro, calculando que um utente que circule diariamente entre Aveiro e Ovar poderá ver a sua factura aumentada «em mais de 100 euros mensais».

Os utentes declaram-se, por outro lado, «perplexos» com a «quebra de uma promessa que foi uma grande bandeira de José Sócrates», que afirmou «com todas as letras que não haveria portagens nas SCUT».

«Não nos interessa saber que estudos inventaram para justificar a decisão política. Entra pelos olhos dentro de qualquer cidadão de bom senso que não houve qualquer alteração no distrito de Aveiro que permita dizer que antes não estavam criadas as condições e agora já estão», disse Miguel Bento, lembrando a ausência de vias alternativas. «A EN 109, em todo o seu percurso, está hoje transformada numa grande avenida urbana» em torno da qual existem habitações, escolas, centros de saúde, lares, pavilhões desportivos, fábricas, jardins ou feiras, acentuou.

Introduzir portagens na A29 e A17 significaria «reencaminhar milhares de viaturas por dia, designadamente transportes pesados», para a EN 109, que regressaria assim aos «tempos da grande sinistralidade».
A comissão chama ainda a atenção para a inexistência de transportes públicos que possam ser usados pelas populações. «Pense-se numa deslocação de Aveiro para a Feira, de Estarreja para Ílhavo, de Vagos para Ovar, e obrigatoriamente se percebe que não outra alternativa senão ir de carro», referiu Ivar Corceiro.». (Diário de Aveiro)

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