InícioAveiroTeste da UA combate a apanha fraudulenta da amêijoa-japonesa

Teste da UA combate a apanha fraudulenta da amêijoa-japonesa

A ‘impressão elementar’ das conchas — uma assinatura química natural que reflete as condições ambientais onde as amêijoas cresceram – que foi desenvolvida na Universidade de Aveiro (UA) por Ricardo Calado, Andreia Santos, Fernando Ricardo, Renato Mamede e Seila Díaz, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, do Departamento de Biologia e do ECOMARE, e Carla Patinha, do Departamento de Geociências da UA, permite «conhecer a composição química das conchas da amêijoa-japonesa identificando a sua origem geográfica e, com isso, combater a rotulagem fraudulenta e a pesca ilegal de centenas de toneladas todos os anos».

Os investigadores preparam a «transferência desta solução para uma grande empresa nacional do retalho alimentar, que pretende confirmar de forma rápida e precisa que a amêijoa japonesa que comercializa não foi capturada ilegalmente no Estuário do Tejo». Esta impressão elementar também pode ser usada no combate à pesca ilegal, e a «outras práticas fraudulentas que ameaçam a saúde pública e os ecossistemas marinhos». Nesse sentido estão em curso «colaborações com autoridades nacionais e internacionais, incluindo a Europol».

Segundo o biólogo Ricardo Calado, «este nível de contaminação é tão elevado e persistente que fica ‘impresso’ nas
conchas destas amêijoas quando crescem nestes locais, funcionando como códigos de barras naturais». Mesmo que a documentação seja falsificada, indicando que as amêijoas provêm do Estuário do Sado ou da Ria de Aveiro, “as assinaturas elementares das conchas expõem essa prática fraudulenta de forma inequívoca».

O investigador acrescenta que estes códigos naturais «não podem ser falsificados e que a equipa da UA está já a validar, em articulação com as autoridades nacionais, soluções portáteis de despistagem em tempo real de amêijoas-japonesas vivas capturadas no Estuário do Tejo, para que possam ser retiradas do mercado e assim salvaguardar a saúde pública,
incluindo de consumidores estrangeiros, dado que parte deste produto é exportado para outros países europeus.
É ainda possível identificar a época de colheita das amêijoas em cerca de dois terços dos casos analisados, uma informação
particularmente útil para produtos congelados comercializados com concha.

«No dia de Natal de 2025, as autoridades nacionais apreenderam quase cinco toneladas de amêijoa japonesa viva em vários pontos do território nacional destinadas ao consumo humano. Esta amêijoa é capturada ao longo de todo o ano de forma ilegal na ria de Aveiro, no Estuário do Sado e, sobretudo, no Estuário do Tejo, onde apresenta níveis elevados de metais, estando a sua comercialização viva interdita».

Além de bivalves, encontra-se em fase inicial a análise de carnes, legumes e frutas, «na sequência de pedidos de grossistas e autoridades reguladoras do setor alimentar». Estão igualmente a validar outras soluções técnicas, incluindo «assinaturas bioquímicas e tecnologia de raios X para uma determinação elementar mais rápida, suportadas por modelos de machine learning que permitem aumentar a precisão e automatizar a identificação da origem dos produtos».

Entretanto em junho de 2026, será inaugurado o CITAQUA-ECOMARE, polo da Rede Hub Azul de Aveiro liderado pela UA, onde funcionará o Laboratório Nacional para a Rastreabilidade dos Produtos da Pesca e da Aquicultura, um «investimento superior a três milhões de euros. Será a entrada numa nova fase no desenvolvimento e transferência destas soluções tecnológicas para autoridades, grossistas, retalhistas, pescadores, mariscadores e aquicultores. Este laboratório
contará com um parque de equipamentos científicos único na Europa».

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