O presidente da Câmara de Aveiro, Alberto Souto, está a tentar constituir um lobi pela reactivação da orquestra Filarmina das Beiras, depois de extinta por via da dissolução da Associação Musical das Beiras, que o autarca pretende contrariar.
Na edição Centro desta terça-feira do jornal Público, o autarca assina um artigo de opinião intitulado “Filarmonia das Beiras – O Concerto deve continuar”, expressando a necessidade de uma orquestra para o Centro, apontando para o erro do seu fim, a oportunidade que ainda constitui e faz um apelo para a concertação das autarquias.
Num passo anterior, Alberto Souto anunciou a intenção de reunir os “parceiros sociais” num encontro.
Numa altura em que não existe um posicionamento oficial e público da organização de uma outra orquestra do Centro do país, apenas é conhecida a actividade da comissão liquidatária, mandatada pela Associação Musical das Beiras para fechar as contas. Contudo, Ribau Esteves, disse que existe e apoia a movimentação de autarcas de Viseu e Leiria para formação de uma nova orquestra ao mesmo tempo que critica a acção de Alberto Souto que levou este a classificar o presidente da Câmara de Ílhavo de cometer um “acto de política pimba”.
Por falar em contas, o PSD local tem insistido que a Câmara de Aveiro deve dinheiro à Filarmonia mas Alberto Souto já disse mais do que uma vez que pagou todas as facturas que chegaram à Câmara e não as que ainda não chegaram, relativas a concertos realizados. Assim como diz, no artigo no Público que a Filarmonia apresentava uma “situação líquida positiva de cerca de 150 mil Euros”.
No artigo, Alberto Souto diz que “A recente deliberação da Associação Musical das Beiras de se dissolver e de, assim, extinguir a Orquestra Filarmonia das Beiras é um acto de lesa-cultura que empobrece a Região Centro e que parece ser de todo em todo injustificável” (…) uma aposta ganha na descentralização da oferta de música erudita, a formação de novos públicos e um trabalho pedagógico nas escolas de efeito multiplicador evidente”.
Resumindo as últimas horas da Filarmonia, diz Sputo: “(…) Confrontada com a recorrente pretensão dos músicos, pagos a recibo verde há sete anos, de verem a sua situação contratual estabilizada e com acções judiciais de quatro deles para verem reconhecidos os seus direitos, a Direcção da Orquestra considerou estarem esgotadas as possibilidades de acordo e, nas vésperas da audiência de julgamento, preferiu o expediente de dissolver a Associação, para assim se eximir às consequências de uma sentença judicial. A analogia com aqueles empresários pouco escrupulosos que encerram a empresa como forma de se eximirem ao cumprimento das suas obrigações é manifesta (…)”.
“(…)que se pedisse às autarquias e instituições um esforço acrescido; que se demitisse a Direcção”, sugere.
O apelo “(…) E o desafio que temos pela frente não é o de carpir sobre a música derramada, mas o de, rapidamente, termos de novo a Orquestra a tocar. Não acredito que Câmaras tão importantes como a de Coimbra, Viseu, Leiria, Castelo Branco, Guarda, Figueira da Foz, Feira, Oliveira de Azeméis e tantas outras, se conformem e se resignem aos ditâmes de uma lógica economicista que nos menoriza a todos e, muito menos, a sinistras conspirações de partidarites supinas, deveras inconciliáveis com os superiores concertos que a nossa cultura obriga(..)”.
Uma justificação “(…)E sei que em Aveiro, há setecentas pessoas – entre os quais muitos jovens – que já tinham reservado o dia 1 de Janeiro de 2005 para o tradicional concerto de Ano Novo, esgotando a lotação do Teatro Aveirense. Com o corpo ainda dormente da ressaca, mas o espírito desperto pela solenidade do concerto renovado entre os homens(…)”.

