A Reitora da Universidade de Aveiro apresenta o problema, sugere caminhos mas enfrenta o Estado como barreira ao desenvolvimento ou o Governo que não faz crescer a economia.
No discurso do 33º aniversário da UA, Maria Helena Nazaré debruçou-se sobre a necessidade de aumentar o financiamento, o incremento da relação da investigação com as empresas, e o papel regulador.
A Reitora lembra que «m 2002, a UA recebia cerca de 42 milhões de euros. Quatro anos volvidos, e tendo-se mantido o número de alunos, recebe 41 milhões». A situação, disse, gera um clima de «imprevisibilidade que lhe está associado põe em causa condições financeiras mínimas para o funcionamento, com eventuais reflexos na qualidade do que se faz».
Chama a atenção que «haverá universidades que, sem derrapagens orçamentais, necessitam dos saldos de anos anteriores para pagar as remunerações do mês de Dezembro».
E acrescenta que «regressando à questão da boa ou má gestão, os saldos representam a reserva de tesouraria que possibilita a execução de projectos, de outra forma inviável dadas as demoras de reembolso por parte dos financiadores, à cabeça dos quais vem o próprio Estado».
Regulação Outro problema é a regulação com efeitos na acção da UA. «A formação superior em Portugal enferma de graves problemas causados pela frequente omissão de regulação, pela falta de definição clara das missões institucionais de universidades e politécnicos, pela ausência de visão prospectiva e pela excessiva intromissão do Estado na sua gestão. A estas questões endógenas acrescem a iniludível regressão demográfica e as dificuldades económicas do país», disse.
As consequências são relevantes uma vez que «a situação é agravada pela percepção errónea do valor social dos diplomas conferidos, que entre outros factores, conduziu a uma clara desvirtuação do ensino politécnico». O resultado é, conclui, «uma distorção do perfil da oferta a nível nacional, que em nada contribui para uma adequada relação com as necessidades do mercado de trabalho e do desenvolvimento do país, que importa ultrapassar».
Lembra que «a regulação por asfixia é a menos inteligente e a mais danosa para o país».
Ligação à investigação logo nos programas de formação inicial e não unicamente a nível de doutoramento
A Reitora diz que «chegou a altura de fazer um balanço e reinventar a universidade». E analisando a situação, disse que «em Portugal a economia teima em não acelerar e os problemas instalados nas finanças públicas não permitem o nível de investimento no conhecimento necessário através da investigação e ensino superior».
Por isso fala num sistema «radicalmente novo de criação de riqueza a emergir dependo a sua vitalidade da formação avançada dos recursos humanos, da investigação e da inovação o que implica um acréscimo de responsabilidade das instituições de ensino superior e de investigação».
Na formação a literacia digital «é condição sine qua non para a correcta apropriação das tecnologias da informação e comunicação com todo o seu potencial inovador».
Mas a necessidade é diferente da oferta. Segundo a Reitora, «o número de activos graduados em curso de ciências e engenharia tem vindo a diminuir nos últimos dez anos e muito particularmente nos anos mais recentes».
Helena Nazaré diz que será uma aposta nos próximos anos «a qualificação da população activa e a sua articulação com a formação politécnica e pós-secundária mas é preciso que o sistema seja flexível e promova a, a diversidade de percursos possíveis, a ligação entre formação universitária, formação politécnica e outras formações creditáveis».
A prioridade à investigação e desenvolvimento será nos domínios que a UA identificou como tendo condições «de apropriação imediata pelo tecido económico» e exemplificou com os materiais, as nanociências, as telecomunicações, o ambiente e mar sendo que nestes domínios «a UA tem competência para afirmação internacional, o que já vem acontecendo».
Defende-se, disse, a importância da «ligação à investigação logo nos programas de formação inicial e não unicamente a nível de doutoramento» e considerando a qualidade e a avaliação «duas faces da mesma moeda» a UA vai submeter-se ao Programa Internacional de Avaliação da European University Association estando a primeira visita marcada para a segunda Março.

