Em resposta aos socialistas, que pediram a renuncia de mandato de Paulo Teixeira, a estrutura concelhia laranja, em comunicado, afirma que a sua posição «é clara, inequívoca e coerente», defendendo que os mandatos são para cumprir, noticia o Diário de Aveiro.
«Para os social-democratas, o assunto dos terrenos da feira que decorre no tribunal local, é «um assunto recorrente das últimas duas campanhas eleitorais autárquicas» que Paulo Teixeira, cabeça de lista do PSD venceu.
«O PSD é defensor que com o voto popular e com a vontade dos paivenses não se brinca. Os mandatos são para levar até ao fim», afirmam. Em contra-ataque, a estrutura «laranja», diz que o Partido Socialista «é fértil em candidatos que fogem» e dão como exemplo o presidente da concelhia «rosa», Gonçalo Rocha, «que após ter jurado a pés juntos que seria o candidato à Câmara fugiu».
O líder socialista depois de anunciar publicamente a sua candidatura cedeu o seu lugar a Lino Pereira, dissidente do anterior Executivo de Paulo Teixeira, que passou assim para número um dos socialistas, também depois de se ter apresentado como independente.
A demissão de Lino Pereira, ex-número dois de Paulo Teixeira, também não passa em claro aos social-democratas, que classificam como «um claro desdém por aqueles que lhe depositaram a sua confiança política». «No PSD não concordamos que se fuja aos mandatos», afirma, acrescentando ainda que «a vasta experiência que o PS demonstra ao fugir de candidaturas e suspensão de mandatos, não vai servir de exemplo para que os autarcas do PSD façam o mesmo».
Sobre o processo em si, o PSD «subscreve aquilo que Lino Pereira disse na reunião de Câmara de 12 de Abril de 2000: ‘o Executivo não vendeu, não permutou, nem cedeu qualquer parcela de terreno pertencente ao perímetro da feira de Castelo de Paiva, antes pelo contrário’». O PSD «estranha ainda» que dos cinco vendedores do dito terreno, só Paulo Teixeira tenha sido constituído arguido, questionando por isso se esta «não será mais uma prova que se trata de um processo eminentemente político». Para os social-democratas «nesta época de dificuldades as prioridades são outras», afirmando que para o PS «não é importante que o Eng.º José Sócrates não cumpra com o prometido para Castelo de Paiva». E acusam: «A subserviência política fala mais alto».
O Ministério Público deduziu acusação contra Paulo Teixeira por alegado envolvimento na venda de um terreno – que o MP diz ser da Câmara – como sendo da família dele. O caso foi denunciado, há seis anos, pelo vereador Joaquim Quintas, entretanto falecido, e marcou as últimas «autárquicas», ao ser usado como argumento por Lino Pereira (ex-braço direito de Paulo Teixeira), quando assumiu a ruptura com o edil.
Num documento enviado às redacções, os socialistas, ainda antes do julgamento marcado para 17 de Janeiro, os socialistas afirmam que «cabe ao Ministério Público e às Entidades Administrativas competentes investigar o caso até ao fim», mas os autarcas eleitos pelo PS, garantem que «não compreenderão que os actos acima descritos não impliquem a responsabilização dos seus autores».
Além disso, dizem, «perante a gravidade do que se passou e não havendo qualquer explicação credível, o mínimo que se pode exigir, no plano político, em nome do respeito pelos Paivenses e aos valores mínimos que devem nortear o comportamento dos agentes públicos, é que Paulo Teixeira tenha, ao menos, a dignidade de renunciar ao ser cargo de presidente da Câmara Municipal». (Diário de Aveiro)

