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“Por dentro do Chega” apresentado em Aveiro, autor do livro aponta soluções para travar o partido (correção)

O autor do livro “Por Dentro do Chega”, o jornalista Miguel Carvalho, apresentou este domingo, em Aveiro, ideias para travar o partido da extrema-direita em Portugal. Se o Chega tem conquistado os descontentes pelos resultados dos governos dos últimos anos em Portugal, sugere uma nova atitude dos políticos, como melhorando a vida das pessoas ou cumprindo as promessas que fazem porque «não cumprem com a palavra».

O Chega cresce à custa do descontentamento pelos últimos governos em Portugal – o hospital que se promete e não se faz, o acesso à saúde distante, a estrada por fazer – e a forma de protestar é votar nesse partido. Para contrariar essa imagem, os políticos passariam a cumprir promessas podendo reconquistar os eleitores que mudaram o seu voto para o Chega.

Sobre o uso da mentira, e criticando o facto de os adversários políticos do Chega também terem falhado nesse combate, Miguel Carvalho citou uma intervenção de um investigador que ouviu em Coimbra. Face ao facto de as redes sociais estarem pejadas de mentiras e fake news, o investigador defendeu que, sendo esse o cenário com que temos de lidar, então que as mentiras fossem usadas para o bem, ou seja, que se combatesse nas redes a mentira com outras mentiras que puxassem à humanidade e aos afetos para fazer uma espécie de contranarrativa.

Outras sugestões dizem respeito aos conteúdos programáticos escolares, ou seja, «mudar a montante». Se «damos Camões» na sua versão das viagens e conquistas dos portugueses, se as visitas de estudo são ao Mosteiro dos Jerónimos e ao Padrão dos Descobrimentos, se Pessoa é o da “Mensagem” (que exalta a elevação do ser humano como um herói, os heróis importantes de Portugal, do antigo Império colonialista) «estão à espera de quê?», pergunta Miguel Carvalho. Se dos conteúdos fazem parte estas matérias, «isso é ótimo para o Chega», ou seja, consegue ter mais apoiantes logo a partir das escolas, entre os jovens.

O jornalista está ainda preocupado com o que se passa nas escolas, como já soube que se faz a saudação nazi, a defesa do colonialismo e da leitura de “Mein Kampf”, de Adolf Hitler.

O livro de Miguel Carvalho foi apresentado este domingo em Aveiro e o autor diz que «90 por cento é de pessoas do Chega a falar do Chega». O partido cresce num tempo «da encenação da vitimização e o Chega faz isso». Nas entrevistas às televisões (não há entrevistas ao líder André Ventura na imprensa), «faz bullying ao jornalista, ao canal e não traz qualquer valor noticioso». Por isso, «o jornalismo tem sair da bolha, ir para o terreno que abandonou». E, se se fala muito do Chega e de André Ventura «mordemos o isco e adotamos a agenda do Chega» e o resultado é ainda a sociedade entrincheirada e polarizada.

Sobre os eleitores do Chega, há os que nem são a favor da descriminação dos ciganos, mas são favoráveis a mais repressão policial, por exemplo. «Não há um eleitor tipo» e acredita que a maior parte dos eleitores foi mobilizado no PS, além do CDS e PSD.
E, se em seis anos o Chega chegou aos 23 por cento, Miguel Carvalho não acredita que haja «23 por cento de fascistas em Portugal» ou que os 60 deputados sejam todos fascistas.
Referiu-se ainda ao financiamento do partido. Para uma «certa elite económico-financeira, este partido é a passadeira vermelha com que sonharam», disse. Sobre financiadores e apoiantes referiu-se a fabricantes de armas, fundos de investimento, empresas offshore, cinco ou seis pessoas da família Champalimaud, de pessoas dos antigos movimentos ELP e MDLP, tudo num ambiente de «capitalismo selvagem».

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