As Forças Armadas Portuguesas (FAP) estão prontas a responder num cenário de crise, garantiu ontem o comandante da Força de Reacção Imediata (FRI), coronel Vítor Francisco, num balanço provisório do exercício «Lusíada 06» que decorre desde segunda-feira em Ovar e S. Jacinto (Aveiro), noticia o Diário de Aveiro.
«Este exercício, anual, que este ano se desenrola entre Ovar e Aveiro, conta com a participação dos três ramos das Forças Armadas (Marinha, Força Aérea e Exército), num total de 1.260 homens, recria uma situação de conflito interno num país africano, designado por «Zululand» (Aveiro), onde existe uma grande comunidade portuguesa.
Violentos distúrbios, escassez de água potável, doenças como malária e tuberculose, e ainda a iminente luta armada por parte do Exército de Libertação de «Zululand», são dificuldades acrescidas para os militares portugueses que têm como missão evacuar os cerca de 500 portugueses que não conseguiram escapar daquele país imaginário.
Os meios foram concentrados num país vizinho designado por «Limaland» (Base Aérea AM1-Maceda, Ovar) de onde irão partir para esta missão. As forças militares apenas têm ordem para recorrer à força em situações de legítima defesa. Depois de montarem a «tend city», ao mesmo tempo que cinco embarcações da Marinha de Guerra chegavam à Costa, uma companhia de 100 fuzileiros desembarcou, ontem de madrugada, numa praia (da Barra em Aveiro), território de «Zulaland» para prepararem diversos «mini-campos de refugiados», em pontos estratégicos.
Silenciosamente, os militares avançaram pelas ruas ainda «adormecidas», começando aí a projecção das forças no terreno. Nos próximos dias as peças deste «jogo de xadrez», continuam a ser movimentadas pelas chefias militares que vão procurar criar as maiores dificuldades às tropas no terreno.
Segundo o coronel Vítor Francisco, «este exercício é muito exigente» e serve para avaliar a capacidade de reacção da FRI, «apesar de já termos bastante experiência».
Este mesmo exercício já foi testado numa situação real quando em 1997, na Guiné-Bissau, uma crise que levou à «queda» de Nino Vieira, obrigou à retirada de milhares de portugueses. Segundo o oficial de informação da FRI, major Paulo Gonçalves, o «Lusíada 06» é «adaptável, também a situações de catástrofes naturais».
Forças no terreno Além de todo o pessoal necessário à preparação e condução do exercício «Lusíada 06», a Marinha de Guerra Portuguesa empenha cinco navios (Vasco da Gama, João Belo, Bérrio, João Roby e Bacamarte), uma companhia de Fuzileiros, um grupo de combate de Acções Especiais, uma equipa de Mergulhadores Sapadores e pessoal técnico do Instituto Hidrográfico.
O Exército Português apoia a realização do exercício no Regimento de Infantaria N.º 10, em São Jacinto, e emprega uma companhia de pára-quedistas da Brigada de Reacção Rápida, militares do Centro de Instrução de Operações Especiais, um grupo de militares do Regimento de Engenharia n.º 3 e pessoal técnico da Escola Prática de Artilharia e do Instituto Geográfico do Exército.
A Força Aérea Portuguesa disponibiliza as infra-estruturas do Aeródromo de Manobra n.º 1, em Ovar, e o emprego de diferentes tipos de aeronaves, nomeadamente um C-130, um C-212, um helicóptero EH-101, dois helicópteros Alouette III, seis F-16, um P3 Orion (aeronave de patrulhamento marítimo) e pessoal do Centro de Informação Meteorológica da Força Aérea.» (Diário de Aveiro)

