Cientistas da Universidade de Aveiro com resultados promissores para um diagnóstico mais precoce da Doença de Alzheimer e uma possível alternativa terapêutica
Conseguir um diagnóstico mais precoce da Doença de Alzheimer e uma possível alternativa terapêutica para esta demência são os «principais e promissores resultados da descoberta» de uma equipa de investigadoras da Universidade de Aveiro (UA) focada centrado no estudo das modificações químicas em moléculas de um tipo específico de RNA, os RNAs de transferência (tRNAs), essenciais para a síntese de proteínas.
As cientistas envolvidas são Marisa Pereira, Diana Ribeiro e Ana Raquel Soares (líder do grupo), com a colaboração das universidades de Frankfurt (Alemanha), Stanford (USA) e Indiana (USA), um trabalho coordenado pelo grupo de investigação tRED, do Instituto de Biomedicina da UA. As cientistas avisam que «apesar dos resultados promissores, o tempo necessário para que estes resultados sejam traduzidos em aplicações clínicas pode variar significativamente». No futuro, a equipa de investigação quer validar estas descobertas iniciais e compreender melhor todos os mecanismos envolvidos, segundo comunicado da UA.
Apesar dos resultados promissores já alcançados, as investigadoras chamam à atenção do tempo necessário para que estes resultados sejam traduzidos em aplicações clínicas que pode variar significativamente». No futuro, a equipa de investigação quer validar estas descobertas iniciais e compreender melhor todos os mecanismos envolvidos, segundo o mesmo comunicado.
Sobre a terapia derivada destes resultados «precisa de passar por extensos testes pré-clínicos e ensaios clínicos para garantir sua eficácia e segurança. É difícil prever um prazo exato, mas, se bem-sucedidos, estes resultados podem eventualmente levar a avanços significativos no diagnóstico e tratamento da Doença de Alzheimer».
A Alzheimer’s Association financia o projeto AD-EpiMark para prosseguir com a investigação, «contribuindo para o desenvolvimento de novas terapias e ferramentas de diagnóstico. Este projeto abre ainda portas para parcerias com outros investigadores e instituições que trabalham nesta área, ampliando assim o alcance e a influência do projeto e que certamente trará esperança para muitos afetados pela doença e para as suas famílias». O trabalho foi publicado na revista científica Biochimica et Biophysica Acta (BBA) – Molecular Basis of Disease.
INFO UA “Descobrimos que a expressão de uma enzima chamada ELP3, responsável por fazer alterações químicas específicas em moléculas de tRNA, se encontra reduzida no cérebro de pacientes com DA, assim como em modelos animais e celulares da doença”, explicam as investigadoras da UA.
Esta redução da expressão da enzima, apontam, “leva concomitantemente a uma redução no nível das modificações químicas que esta enzima cataliza, em tRNAs específicos”. Esta hipomodificação dos tRNAs provoca, consequentemente, problemas na produção de proteínas.
A chave pode estar na manipulação dos níveis de tRNAs e das suas modificações
As investigadoras descobriram que aumentando os níveis de tRNAs afetados pela diminuição da ELP3 é possível restaurar a produção normal de proteínas em células neuronais. “Estes resultados sugerem que as modificações nos tRNAs podem desempenhar um papel importante na progressão da DA, abrindo novas possibilidades de abordagens de diagnóstico e terapêutica para esta condição neurodegenerativa devastadora”, apontam as investigadoras.
Os resultados obtidos até o momento, asseguram, “têm implicações significativas tanto no diagnóstico quanto no tratamento da DA”.
No diagnóstico, “a identificação da redução da expressão da enzima modificadora de tRNA, ELP3, e das suas correlações com modificações específicas de tRNA, pode servir como um biomarcador potencial para a doença, mesmo em fases iniciais”. A deteção precoce desta doença é crucial, “uma vez que permite intervenções terapêuticas mais eficazes antes que os sintomas se tornem severos”.
No que diz respeito ao tratamento, “os resultados sugerem que a manipulação das modificações de tRNA, por meio da modulação da expressão de ELP3, pode representar uma nova e promissora estratégia terapêutica para a DA”.
Corrigir essas anomalias na síntese proteica, esperam as investigadoras, “pode contribuir para a restauração da homeostase proteica neuronal, comprometida na doença, potencialmente preservando a função neuronal e retardando a progressão dos sintomas”.

