Um estudo realizado junto de profissionais de saúde da região de Aveiro, concluiu que cerca de 81 por cento dos profissionais desconhecem as recomendações da Organização Mundial de Saúde «para prevenir, retardar ou reverter o declínio das capacidades físicas e mentais dos idosos, «frequentemente sujeita a múltiplas intervenções médicas e a um elevado consumo de medicamentos». O estudo da investigadora Maria Teresa Herdeiro, do Departamento de Ciências Médicas e do Instituto de Biomedicina da Universidade de Aveiro (UA), coordenadora do Projeto STOP-IATRO na UA, «alerta que esta realidade pode aumentar o risco de iatrogenia — danos causados por cuidados de saúde ou pela medicação — e comprometer a autonomia dos idosos».
As recomendações da OMS e outras orientações internacionais «não estão ainda a ser totalmente implementadas de forma eficaz pelos profissionais de saúde» e a investigação teve como objetivo avaliar o conhecimento dos profissionais de saúde sobre a iatrogenia e a sua prevenção». A investigação concluiu ainda que 84 por cento «não conhecem recomendações publicadas para prevenir a perda de autonomia funcional durante o internamento hospitalar de pessoas idosas e 82 por cento não utilizam escalas para avaliar o estado funcional dos doentes». Sobre o impacto da iatrogenia na perda de capacidade funcional dos idosos, «uma parte significativa dos participantes considera que esta situação afeta uma percentagem relevante dos doentes. Cerca de 34 por cento acredita que entre 11 e 25 por cento dos idosos sofre este tipo de declínio não explicável apenas pela sua condição clínica, enquanto 24 por cento dos participantes aponta valores entre 26 e 50 por cento».
Sobre a iatrogenia medicamentosa, «47 por cento dos profissionais considera que entre 11 e 30 por cento dos eventos iatrogénicos graves estão associados ao uso de alguns medicamentos, e 24 por cento acredita que estes representam entre 41 e 60 por cento dos eventos adversos. «Muitos destes casos poderiam ser evitados» uma vez que «41 por cento dos participantes considera que entre 41 e 60 por cento dos eventos relacionados com medicamentos são preveníveis, e 28 por cento estima que a mesma percentagem destes efeitos adversos pode implicar internamento hospitalar».
Há um dado positivos: «92 por cento dos profissionais mostraram-se disponíveis para participar em ações-piloto de boas práticas na prevenção e gestão da iatrogenia medicamentosa». Além disso, os profissionais de saúde «de uma forma global estão despertos para a iatrogenia, nomeadamente medicamentosa, contudo, apontam a necessidade de instrumentos de avaliação do risco e do estado funcional dos idosos», segundo a investigadora.
Estão ainda previstas ações de sensibilização dirigidas à população em geral, com foco na promoção da literacia em saúde e no envelhecimento saudável, a realizar este ano.
O estudo realizado permite «identificar necessidades e apoiar o desenvolvimento de estratégias inovadoras para melhorar os cuidados prestados às pessoas mais velhas» sendo que numa fase inicial participaram 64 médicos, enfermeiros, farmacêuticos hospitalares e técnicos auxiliares de saúde, sendo que «a maioria dos inquiridos tinha mais de 10 anos de experiência profissional».
Outro objetivo é a avaliação do «conhecimento dos profissionais de saúde sobre a iatrogenia e a sua prevenção, permitindo identificar necessidades e apoiar o desenvolvimento de estratégias inovadoras para melhorar os cuidados prestados às pessoas mais velhas».
A investigadora refere-se ainda a estudos anteriores. Estes estudos indicam que «cerca de metade dos idosos pode perder capacidades funcionais durante o internamento, com impacto direto na sua qualidade de vida após a alta e nos custos em saúde, colocando maior pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde”, sublinha Maria Teresa Herdeiro.
“Muitos destes eventos iatrogénicos são conhecidos, estudados e podem ser evitados.

