Em entrevista ao Diário de Aveiro, o presidente da Câmara de Ílhavo, Ribau Esteves diz, sobre a Marina da Barra, que «o Governo continua sem assumir decisões definitivas»
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Qual é o ponto de situação do projecto da Marina da Barra?
Das duas uma: ou queremos que a região da Ria de Aveiro entre no mapa dos destinos turísticos, ou não queremos; ou queremos que o país, em termos turísticos, tenha, também nesta região do país, uma participação forte, ou não queremos. E se queremos – o sim às duas questões – e, daquilo que ouvimos dos discursos, queremos, obviamente que projectos como a Marina da Barra são absolutamente fundamentais. Aquilo que nos diferencia tem muito a ver com esta relação Ria/Mar, com esta colocação geográfica, com o facto de sermos uma plataforma atlântica importantíssima para o tráfego náutico que aqui passa, fazendo a ligação principalmente do Norte da Europa para o Mediterrâneo e vice-versa. Temos capacidade, também por localização geográfica, de atrair uns largos milhões de espanhóis que vivem em toda esta faixa entre Salamanca e Madrid. Portanto, isso precisa de projectos com capacidade de atracção forte de ‘per si’ que, depois, obviamente, ganham, eles próprios, e dão a ganhar a todas as outras, muitas capacidades que a nossa região tem: de beleza natural, de gastronomia, de tradição, etc.
A marina da Barra, o aldeamento turístico da Quinta da Boavista, a qualificação turística da Vista Alegre e vários outros projectos turísticos muito importantes de municípios nossos vizinhos são coisas absolutamente fundamentais para que consigamos entrar nos mapas dos destinos turísticos e sejamos uma parte importante de um país que assumiu, há muitos anos, que o turismo é uma das suas fontes de riqueza e de emprego de futuro.
É por isto que a nossa aposta se mantém forte. As dificuldades são muitas, o Governo actual continua sem assumir decisões definitivas sobre estes dossiers, mas estamos empenhados em pressionar quem de direito para que, de uma vez por todas, estas coisas vejam a luz do dia.
Tem sido um projecto em que não há uma resolução à vista…
Tenho sido reservado em dizer o que se passa com o processo. O último percalço que o processo teve, há alguns meses atrás, tem a ver com a reforma de funcionamento estrutural da estrutura orgânica do Governo, que fez com que a entidade com a qual estávamos a trabalhar para resolver alguns dos problemas que o projecto tem, está em processo de extinção e fusão com uma outra. Era um processo que estava a correr muito bem e parou para agora nos recolocarmos dentro da nova reestruturação orgânica. Foi o último dos percalços e o projecto da Marina da Barra tem «n» percalços.
Mas este implica um retrocesso…
Exactamente. Tem sido típico. Nunca deixo de lembrar que em quatro anos, no mandato anterior, conhecemos quatro governos e sete ministros do Ambiente, pelo que não foi possível decidir isso, nem decidir nada. Veja-se que o que se ouve hoje, em relação às grandes políticas ambientais do país – co-incineração (que tem a ver com a gestão dos resíduos industriais banais), técnicas para a resolução dos resíduos sólidos urbanos na Região Centro, estratégia de gestão da zona costeira portuguesa, gestão da Rede Natura 2000 e da Reserva Ecológica Nacional – são os mesmos que se ouvia há cinco anos atrás.
Nada se fez nem se decidiu de relevante nestas matérias fundamentais para a gestão do país, em termos de sustentabilidade ambiental. Se é assim em relação às grandes matérias, obviamente que as «marinas das barras» não podiam ter um enquadramento de decisão do Governo muito diferente.
(…)» – (Diário de Aveiro)

