O presidente da Câmara de Aveiro, Élio Maia, responde ao ex-presidente Alberto Souto, que criticou o contraditório da autarquia ao relatório preliminar da auditoria às contas municipais da Inspecção-Geral das Finanças, reafirmando que prestará declarações apenas quando for conhecido o relatório final, diz em comunicado oficial difundido esta quarta-feira.
«O objectivo que norteou o exercício do contraditório por este Executivo foi no sentido da versão final do relatório (…) ser um «retrato mais fiel da real situação financeira do município».
No dia seguinte a declarações do ex-presidente da Câmara, Alberto Souto, ao JN, segundo as quais admitia um valor total da dívida da autarquia «quando muito de 160 milhões de euros», e no dia em que fez publicar um artigo de opinião no Diário de Aveiro, em que contraria a versão de Élio Maia, o actual presidente da Câmara difundiu o comunicado, «face aos desenvolvimentos na Comunicação Social», no qual pretende dizer que é melhor esperar pelo relatório final para se pronunciar sobre o resultado.
Sobre o contraditório da Câmara, Alberto Souto disse que se trata de um «exercício de baixa política, que recorre à distorção dos dados» e a «invenções fantasiosas».
Élio Maia diz que «há princípios e valores que temos que respeitar e entendo que o mais correcto da minha parte é não alimentar qualquer atitude de lançar números e argumentos sobre esta matéria».
Élio Maia reafirma que apenas fará declarações sobre a situação financeira do município e à auditoria da Inspecção-Geral das Finanças «somente na altura da entrega do relatório final por aquela entidade».
Aliás, o presidente da autarquia diz que mantém esta atitude «desde o início do processo por respeito para com o Município e para com a IGF».
Contudo, em finais de Setembro último, Élio Maia disse que o «passivo é, no mínimo, de 225 milhões de euros», embora não dissesse se esse é o valor que referiu no contraditório uma vez que no seu comunicado desta quarta-feira apenas se pronunciaria depois de conhecer o relatório final da IGF.
No debate deste assunto na Assembleia Municipal, o líder da bancada do PS, Raul Martins, lembrou haver diferença entre passivo e dívida, e se o passivo incluir a dívida, dará uma imagem distorcida da situação financeira.
Segundo o comunicado, «a meados de Agosto foi entregue o Projecto de Relatório ao actual Executivo e ao anterior Presidente da Câmara, tendo, por uma questão de transparência democrática, sido entregue também uma cópia destes documentos a todos os Vereadores e aos líderes das bancadas dos Partidos Políticos representados na Assembleia Municipal.
Este Projecto de Relatório, por ser um documento preliminar, constitui uma primeira avaliação da situação financeira do município, nessa medida não definitiva, por supor que as partes envolvidas se pronunciem ainda sobre eventuais omissões ou incorrecções».

