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Dia Sem Carros: Mais um dia de folclore? – Quercus

Dia Europeu Sem Carros: Mais um dia de folclore? – texto do Núcleo Regional de Aveiro da Quercus

«Há já alguns anos que o Município de Aveiro adere a esta iniciativa, inserida na semana da mobilidade, mas foram poucos ou nenhuns os resultados práticos à vista.

Tem-se tratado de um dia em que se fecham algumas ruas ao trânsito,
faz-se algum folclore de rua mais ou menos mediático e o resultado mais visível tem sido o trânsito congestionado nas artérias circundantes,
nomeadamente nos principais acessos à cidade que não são condicionados ao tráfego. No que respeita à mobilidade, poucas foram as medidas de fundo tomadas nos últimos anos!

Este ano, a área inserida na actividade diminuiu substancialmente e
cinge-se à zona histórica da Beira-Mar, pretendendo-se que este dia sirva para decidir o que fazer com esta zona! Inacreditável! Como se um dia sem carros fosse ferramenta suficiente para decidir o que quer que seja no âmbito da mobilidade de uma determinada área.

Neste processo é fundamental perceber que o tráfego automóvel na cidade é uma grande ameaça para a saúde pública à escala local, e, numa escala superior, contribui para as alterações climáticas. Deste ponto de vista são fundamentais medidas estruturais que passem pelo desenvolvimento de comportamentos mais próximos da sustentabilidade urbana, nomeadamente através do reforço e encorajamento à utilização dos transportes colectivos.

Com estas medidas e estes processos de sensibilização não se consegue nada de relevante, sobretudo quando em causa estão cidadãos muito dependentes e habituados ao transporte individual. Este deverá ser um processo continuado, ao longo de todos os dias do ano, com mais ou menos actividades públicas que efectivamente contribuam para a decisão e escolha de soluções realmente eficientes.

Neste âmbito, o condicionamento permanente de determinadas artérias à circulação automóvel, a sensibilização continuada das populações, o fomento de vias pedonais e cicláveis de interesse para as deslocações diárias e não apenas para os turistas, o incremento de mais e melhores transportes colectivos, incluindo nomeadamente o uso de títulos de transporte multimodais e válidos por um período horário, possibilitando a mudança de percurso/linha durante a viagem, o desenvolvimento do projecto do metro de superfície entre o centro de Aveiro, Águeda e Ílhavo, entre outras, são medidas fundamentais ao desenvolvimento de uma política de mobilidade realmente sustentável na região e na cidade.

Deste dia sem carros, para além do folclore tradicional, esperamos que ao menos seja útil na realização de uma reflexão conjunta sobre a política de mobilidade em Aveiro, dando-se o pontapé de saída definitivo para a aplicação de medidas à zona histórica e que daqui possam ser utilizadas e expandidas ao resto da cidade.»

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