Agostinho Velez deixa hoje o comando da Capitania do Porto de Aveiro. Passou à Reserva por vontade própria. Os três anos projectados não passaram de 16 meses. Tempo suficiente para deixar marcas, noticia o JN.
(Entrevista ao JN)
JN|Que balanço faz dos 16 meses à frente da Capitania?
AV|Faço um balanço extremamente positivo. É com muita satisfação que vejo agora embarcações na ria com luzes e embarcações da xávega com coletes. São apenas dois exemplos numa ria com 100 km quadrados. Deixei sementes que vão germinar.
Antes, não havia esses comportamentos de segurança?
Talvez não houvesse essa atenção. Como fui comandante de Olhão, também com um ria complicada, e como sou especialista em navegação, tenho atenção redobrada com esse aspecto.
Deixa a ria mais segura?
Bastante mais segura.
Ganhou a ‘guerra’ com os pescadores ilegais, nomeadamente com os caçadores de bivalves?
Foi apenas uma batalha. Talvez tenha sido ganha por ter evitado que algumas pessoas que estavam para se iniciar nessa actividade ilegal acabassem por desistir.
Como se resolve o problema dos mergulhadores profissionais?
A Câmara da Murtosa, juntamente com a Comissão Instaladora de Aquicultura e Piscicultura, o IPPIMAR e a Direcção Regional de Pescas vai criar, na ria, zonas onde possam ser feitos talhões de viveiros de bivalves, explorados e fiscalizados como acontece na ria Formosa. Aí muitas famílias vivem dos viveiros, sem estar a recorrer a actividades ilegais. Acredito que pode acontecer o mesmo na zona de Aveiro, aproveitando os conhecimentos dos pescadores de bivalves. O processo está a andar, estamos à espera de um requerimento para 10 talhões pré-marcados, que vão ser colocados ao dispor dos interessados.
A ria ainda esconde “armadilhas”?
As estacas submersas, cerca de uma dezena, que eram de facto autênticas armadilhas, já foram retiradas. O projecto de sinalização da ria, nomeadamente os cerca de 30 quilómetros que vão do canal de Ovar ate à Vagueira, está a ser ultimado pelo Instituto Hidrográfico, que vai enviar a orçamentação à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Já está definido o tipo de marcas, que serão bóias com luz. Devem estar colocadas até ao final do ano.
Qual é o maior problema da ria?
Um é a inexistência de um órgão que coordene a ria. Outro é as pessoas esquecerem-se que têm filhos e que a maior herança que lhes podem deixar não são as casas e os carros mas um lugar onde possam perpetuar a sua actividade. Os recursos não são infindáveis. A pesca prematura não pode continuar.
A Capitania tem meios de fiscalização suficientes?
Nunca se tem os meios ideais. Mas o número de efectivos da Polícia Marítima, cerca de 25, está a ser reavaliado, no sentido de haver um reforço.
Está assegurada a vigilância das principais praias na época balnear que se aproxima?
Está, tal como no ano passado.
Alves Salgado, o sucessor
O sucessor de Agostinho Velez é Augusto António Alves Salgado, conforme o JN avançou em 4 de Abril. O novo comandante, amanhã empossado, tem 41 anos e entrou para a Escola Naval em 1983. Como oficial subalterno, exerceu vários cargos em fragatas e corvetas, tendo participado em exercícios nacionais e internacionais. Como capitão-tenente exerceu as funções de chefe da Secção de Sub-superfície do Comando Naval e foi formador no Centro de Instrução e Táctica Naval. Agora desempenhava funções como 2.º comandante da Esquadrilha de Navios Patrulhas. É mestre em História dos Descobrimentos, pela Faculdade de Letras de Lisboa.
(JN)

