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Carta ao Ministro para manter a Urgência

A Administração do Hospital de Estarreja enviou uma exposição a Correia de Campos na qual diz esperar que “a decisão final do Ministro da Saúde aponte, inequivocamente, para a manutenção e requalificação do Serviço de Urgência (SU)», segundo o documento assinado pela presidente do Conselho de Administração, Paula Sousa.

Segundo a exposição, o hospital cumpre a generalidade dos critérios enunciados no estudo (da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências) e outros critérios como a
capacidade de resposta do próprio Serviço de Urgência, o tempo médio de atendimento e o custo unitário de casa episódio de urgência”.

Ana Paula Sousa pergunta “porquê fazer mais longe e mais caro o que se pode fazer mais próximo do Cidadão, com qualidade e com um custo incomparavelmente menor?”, garantindo que o SU “cumpre a sua missão a custos significativamente mais baixos que os registados na média dos hospitais do mesmo nível”.

Feitas as contas, a comunicação ao Ministro refere que o fecho da Urgência de Estarreja «acarretará um agravamento de encargos no Hospital de Aveiro superior ao valor total do financiamento global de toda a actividade do Hospital de Estarreja no próximo ano».

No último ano, o SU de Estarreja atendeu mais de 40 mil utentes, representando uma média diária de 110 episódios, tendo transferido para o Hospital de Aveiro apenas 8% dos episódios. «O tempo médio de atendimento é muito baixo e a taxa de reclamações é ínfima», segundo a exposição.

A administração apresenta vários argumentos como a mobilidade sazonal da população, às praias da Torreira (Murtosa) e S. Jacinto (Aveiro) sendo que “a totalidade dos utentes demorarão mais de uma hora a chegar a Aveiro, não se sabendo o tempo que depois irão demorar a ser atendidos, devido à previsível saturação do Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro”.

Outro argumento refere que o Complexo Químico constitui um risco industrial sendo um critério “demasiado evidente para ser ignorado ou minorado no estudo desempenhando o HVS um papel muito importante no quadro do Plano de Emergência Externo do Concelho”.

A Administração diz ainda que «a médio prazo, os receios são ainda maiores, estando em causa a existência do próprio hospital uma vez que “se não houver urgência, diminuirá drasticamente a fonte que alimenta o internamento, e sem internamento morre a chama que dá vida ao hospital».

A exposição foi preparada no dia em que vários deputados visitaram o Hospital. Regina Bastos, do PSD, admite a necessidade de reorganizar e requalificar os Serviços de Urgência, mas «as decisões têm de assentar em critérios válidos e rigorosos». Para a deputada, o estudo «é deficiente, está ferido de morte pois peca por omissões e contradições. O risco industrial, a mobilidade da população, o tempo médio de espera, o facto de servir uma população não exclusivamente de Estarreja e a performance no atendimento é elogiada».

A social-democrata pede um estudo «sério e credível».

Segundo o deputado Jorge Machado, a unidade serve um concelho «de risco industrial» e recusa «critérios do ponto de vista meramente economicista e de estatística».
Tem «dúvidas sobre a capacidade do Hospital de Aveiro» e adiantou que «o processo não é definitivo, ainda é possível parar o processo».

Para Helena Terra, deputada do PS, o grupo do círculo eleito pelo distrito está preocupado «com os efeitos do eventual encerramento de 5 serviços de urgências no distrito, a ser coincidente o resultado do estudo técnico com a decisão política.

Quanto ao Hospital de Estarreja, tem «características específicas relativamente ao restante lote de urgências, nomeadamente os riscos populacionais, industriais, que outros não terão». Neste período de discussão pública diz que «é possível influenciar a decisão política».

Para Joaquim Batista, vice–presidente da Câmara da Murtosa, «o estudo feito em Lisboa, está completamente desfasado da realidade local
feito com um desconhecimento do que se passa no terreno». O autarca diz que não vê «nenhuma vantagem com o fecho das Urgências de
Estarreja e a Murtosa está atenta e solidária com o povo de Estarreja».

Para José Eduardo Matos, presidente da Câmara de Estarreja, «faz todo o sentido que as Urgências de Estarreja se mantenham e venham a ser melhoradas porque o Hospital de Aveiro não oferece um serviço minimamente de qualidade. As razões para a manutenção do SU de Estarreja são o Complexo Químico e as acessibilidades, com vias congestionadas, que «nada têm a ver com o cenário do Alentejo. Aqui, estamos perto mas demoramos muito para chegar ao hospital de referência».

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