O fecho das urgências do Hospital de Estarreja afectará 50 mil pessoas e o presidente da Câmara, o social-democrata José Eduardo de Matos, tem desencadeado «diversas diligências, reuniões e contactos com inúmeras entidades, para que não se materialize o pior cenário» e quer reunir com a Comissão Técnica que elaborou o relatório relativo ao Processo de Requalificação da Rede de Urgência Geral. Segundo o autarca, os técnicos «relativizaram critérios essenciais nesta avaliação, nomeadamente a presença do Complexo Químico, que no Plano de Emergência de Estarreja surge como sendo de “risco de importância considerável”. E o HVS está na primeira linha de actuação em caso de acidente químico, razão também para a existência próxima nos países da Europa de instalações industriais e hospitalares. Paralelamente, a posição da autarquia pretende a correcção à desvalorização do aspecto turístico e o reconhecimento das especialidades do tráfego nesta área Aveiro – Porto. O dossier a enviar à tutela resulta de contactos e pareceres da Administração Regional de Saúde do Centro, Administração do HVS, Deputados eleitos por Aveiro à Assembleia da República, Comissão Concelhia de Saúde, PACOPAR, APEQ – Associação Portuguesa de Empresas Químicas, Estradas de Portugal, Associação Empresarial – SEMA, CP, Brisa, Hospital de Aveiro, Câmaras da Murtosa, Albergaria-A-Velha e Aveiro e Junta de Freguesia de S. Jacinto. Entretanto, segundo a Câmara, o PACOPAR – Painel Comunitário para a Actuação Responsável de Estarreja, composto por empresas do Complexo Químico, Bombeiros, GNR, Escolas, Universidade de Aveiro, Associação ambientalista, Hospital e Centro de Saúde além da Câmara, considera que o desaparecimento das Urgências “acarretaria consequências ao nível dos próprios Planos de Emergência”. Numa exposição enviada ao Ministro, é dito que “nas vésperas da realização de mais um simulacro do Plano Municipal de Emergências de Estarreja e do Plano Externo de Emergência de Estarreja cujos objectivos se prendem com o teste à capacidade de resposta à emergência, (…) as Urgências do HVS desempenham em todo este processo um papel central”. A carta sublinha a “óbvia importância que as empresas sempre deram a um serviço de urgências hospitalares de proximidade”. Nesse sentido, e no âmbito das actividades do Painel Comunitário, único em actividade em Portugal, foram concedidos pelas empresas apoios para investimentos na melhoria das Urgências. O Complexo Químico seria “fortemente penalizado ao não dispor de um serviço de urgências de proximidade que garanta o socorro em tempos aceitáveis conforme se passa, noutros pólos industriais localizados na Europa”. Enquanto isso, a Assembleia Municipal dirigiu uma moção ao Ministro da Saúde, na qual alerta para os «riscos associados à presença do Complexo Químico, e acrescentando que os profissionais do HVS são os únicos que estão preparados para acorrer a este tipo de situação, uma vez que recebem formação específica». Outro potencial de acidente referido são os acessos rodoviários (A1, A29, e a Variante de Oliveira de Azeméis) e ferroviários, que servem Estarreja, a falta de meios dos Bombeiros Voluntários e o número de ambulâncias é insuficiente para fazer face a deslocações para o Hospital de Aveiro.

