O representante do navio apreendido na Noruega, Silva Vieira, revelou ontem ao Diário de Aveiro que espera resolver o “diferendo com as autoridades norueguesas nas próximas horas”, noticia o Diário de Aveiro.
«O agente da empresa proprietária e um advogado «voaram» ontem, pela manhã, para a Noruega onde tinham à espera uma intérprete que os vai ajudar a esclareceu tudo.
Silva Vieira refuta todas as acusações dos noruegueses, reafirmando que “não é ilegal navegar em águas internacionais sem bandeira” e garantiu que o navio atracou anteontem no porto de Vadso, tem toda a documentação “em ordem” que deverá ter sido ontem entregue às autoridades locais.
“Somos dos maiores armadores portugueses e temos a maior frota nacional. Andamos nisto há 40 anos e há dez naquelas águas. Não brincamos com este tipo de coisas”, sublinhou.
Silva Vieira disse ainda que as autoridades norueguesas encontraram documentos de várias nacionalidades porque o navio tinha sido registado na Estónia e depois no Togo, sempre como “Joana”, antes de ter sido vendido a uma empresa de São Tomé e Príncipe, e agora outra da Guiné-Conacri, com o nome de “Kabou”. Por isso, explicou, «é normal acumular esses documentos a bordo”.
O responsável disse ainda que este “assalto” ao navio tem por objectivo «amedrontar» o armador porque a Noruega e a Rússia “pescam cerca de 500 mil toneladas de bacalhau anualmente naquela zona e querem aquele “quintal” só para eles e para a meia dúzia que faz parte da NEAFT”.
Contudo, garantiu que quando este problema estiver resolvido, o navio «volta para o mesmo sítio e para a mesma actividade porque são águas internacionais e nada os impede de o fazer”.
Primeiras notícias
Silva Vieira anunciou igualmente que recebeu na madrugada de ontem as primeiras notícias do interior do navio e conseguiu falar com a tripulação ao telefone. “A pressão da comunicação social portuguesa foi fundamental para que as comunicações fossem repostas”, congratulou-se. “O que fizeram ao navio só se faz em caso de pirataria”, criticou Silva Vieira, acrescentando que “o direito internacional foi violado”, acusando ainda os noruegueses de terem detido o comandante e o sub-comandante que, todavia, se recusaram a prestar qualquer depoimento na ausência de um advogado português.
O navio «Joana» tem bandeira de São Tomé e Príncipe e pertence à empresa África Pescas, propriedade da Fundação Rei Andresa.
O Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas contactou o agente Silva Vieira, mas este assegurou que está a resolver o problema.
A Guarda Costeira norueguesa disse ontem à Agência Lusa que o navio retido ao largo da Noruega navegava ilegalmente, sem bandeira, sem número de registo e com vários documentos de diferentes nacionalidades.
A assessora de imprensa da Guarda Costeira revelou que «quando as autoridades foram a bordo para identificar a nacionalidade da embarcação, encontraram vários documentos que indicam várias nacionalidades». “Parece que não tem nação”, afirmou a responsável». (Diário de Aveiro)

