A água não é um líquido, são dois misturados, «bem distintos um do outro, cujas propriedades variam conforme a temperatura», segundo investigadores da Universidade de Aveiro (UA) uma descoberta que poderá ajudar a remover o sal da água do mar com mais eficiência; levar à construção de catalisadores superpotentes e alguns medicamentos antitumorais parecem afetar o estado dinâmico da água dentro das células. Compreender essa conexão pode levar a tratamentos mais eficazes, deseja Luís Carlos, um dos investigadores.
A investigação revela «uma compreensão mais profunda da influência da água em vários campos e é um salto em frente para desvendar os mistérios desse líquido essencial que pode ser compreendido não como um líquido complexo mas sim como dois líquidos simples com uma relação complexa», segundo Luís Carlos. ‘Embora haja evidências que confirmem a coexistência destas duas formas da água a temperaturas muito baixas, a sua comprovação à temperatura ambiente tem sido um quebra-cabeças», acrescenta. O quebra cabeças foi «finalmente desvendado pela equipa da UA. Para conseguirem provar a existência de duas formas de água entrelaçadas entre si os investigadores utilizaram nanopartículas emissoras de luz para seguir o movimento das moléculas de água em redor da nanopartícula à medida que a temperatura do fluído aumenta».
Os outros investigadores são Fernando Maturi, Ramon Filho e Carlos Brites, do Departamento de Física e do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, uma das unidades de investigação da UA, um trabalho em parceria com a Universidade de Singapura e do Harvey Mudd College (USA).
«Para uma molécula tão simples [H2O], a água tem algumas particularidades estranhas. Ao contrário da maioria dos líquidos, a água expande-se quando congela e tem um ponto de ebulição surpreendentemente elevado. Estas particularidades resultam da forma única como as moléculas de água interagem através de ligações de hidrogénio», segundo Luís Carlos.

