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Câmara aberta à venda da Aveiro Basket

O vereador Jorge Greno insiste que a pista de remo será construída e abre a porta à venda da Aveiro Basket, em entrevista ao Diário de Aveiro.

(…) Afinal, vai haver pista ou não?
Vai haver pista! Comprometemo-nos com isso e vamos cumprir. É preciso que as pessoas tenham a noção que a construção da Pista do Rio Novo do Príncipe vai muito para além da vertente meramente desportiva. Permite, por exemplo, que a água salgada não invada os campos agrícolas. Por outro lado, o remo necessita de águas paradas. Os clubes dizem que o Rio Novo do Príncipe é uma zona toda protegida dos ventos pelas árvores que lá existem. A pista de Montemor-o-Velho é um descampado, isto segundo informações que me dão. Temos, em Aveiro, clubes com curriculum suficiente que dizem que Montemor-o-Velho não tem as melhores condições.

(…)
A obra do Rio Novo do Príncipe está orçada em cerca de 11 milhões de euros. Como é que vão arranjar esse dinheiro?
Há um acordo entre o Governo e a Câmara Municipal de Aveiro. É certo que com outras pessoas, tanto de um lado como do outro. Costumo dizer que as pessoas passam, mas as instituições ficam. Nós não vamos dizer aos nossos credores que a Câmara já não paga porque agora estão lá outras pessoas. Da nossa parte, tudo faremos para cumprir os acordos assumidos. É uma questão de ética.

Como é que está este processo? (do Aveiro Basket)
O projecto Aveiro Basket, contrariamente ao que algumas pessoas dizem, é um projecto interessante para o concelho de Aveiro. Os problemas que a Sociedade Aveiro Basket tem hoje derivam dos investimentos brutais que foram feitos e que não houve o devido retorno em patrocínios. O Executivo camarário anterior tentou reequilibrar financeiramente o Aveiro Basket. As pessoas têm que saber que à Câmara não compete, nem pode, investir no desporto de competição. Os resultados do Aveiro Basket, no passado, não prestigiaram Aveiro, ao contrário do que está a acontecer agora. A nossa intenção é que o Aveiro Basket divulgue o nome de Aveiro como o fez em Mangualde.

E que futuro para o Aveiro Basket?
A Câmara Municipal realizou uma reunião com todos os accionistas: clubes e privados. Pedimos ao Galitos e ao Esgueira que tivessem uma outra postura.

Já teve respostas?
Sabemos que o Aveiro Basket já teve lucros. Aquilo que pedimos foi uma alteração aos estatutos para que os directores dos clubes possam estar presentes nos órgãos da Sociedade Aveiro Basket.

Para quando a decisão?
Vai haver uma nova reunião dentro de um mês. Entretanto, vai-se realizar uma nova assembleia-geral para a alteração dos estatutos. Esperamos que o Galitos e o Esgueira nomeiem directores para o Aveiro Basket, visto que o Beira-Mar já lá está representado.

Esta indefinição sobre o Aveiro Basket pode fazer com que a cidade fique sem representação na Liga Profissional de Basquetebol?
Eu não sei se o projecto da Liga Profissional de Basquetebol possa vingar no futuro. O que sei é que o Aveiro Basket não conseguiu cativar as pessoas. Mas quero dizer que o basquetebol em Aveiro não está em perigo. Temos clubes como CENAP, o feminino do Beira-Mar e a sua formação, o Esgueira e o Galitos. Todos com bons resultados. Isto demonstra que o basquetebol em Aveiro está vivo e recomenda-se. Se o Aveiro Basket terminar e se algum clube de Aveiro concorrer à Liga tem que fazer bem as suas contas. É como montar um negócio. Tem que ter a suas contas bem feitas, ser autónomo e não prejudicar a sua formação.

A Câmara Municipal de Aveiro vai continuar como principal accionista?
Tudo depende das propostas que possam haver. Pode existir alguém que queira comprar as acções uns dos outros. Tudo pode acontecer. O certo é que a Câmara não vai comprar nada, até porque não pode. Se aparecer alguém que queira comprar o Aveiro Basket e mudar de sítio, temos que analisar.

O Beira-Mar está na Liga de Honra onde as receitas são escassas. Fala-se que tem direito a 800 mil euros da Câmara. É verdade que o clube poderá vir a ter essa verba a curto prazo?

A Câmara Municipal de Aveiro aceitou, através da EMA, celebrar um protocolo em que se comprometia a pagar 500 mil euros/ano ao Beira-Mar. Se o clube descesse de divisão, essa verba seria revista; se fosse a uma competição europeia, aumentaria no mínimo em dez por cento. A nós não nos parece o mais correcto. Isto tem que ser repensado para o futuro. Ao contrário do que acontecia, não compete a uma empresa municipal vender lugares nos camarotes para um espectáculo desportivo. O Beira-Mar contrata os artistas tendo em vista os objectivos que quiser. Para ser campeão nacional; para se qualificar para uma competição europeia ou para não descer de divisão. Daí que os preços dos camarotes devam ser definidos pelo Beira-Mar. O certo é que não era esse o entendimento do anterior Executivo. As pessoas antigamente pagavam 25 contos, por cadeira, por cada jogo. Com todo o respeito pelo clube, não nos parece que se possa pagar esse valor para ver jogos do Beira-Mar. Por esse valor, paga-se para ver um Benfica/Barcelona ou assistir a um concerto do Luciano Pavarotti. A verdade é que a EMA não conseguiu receitas para o investimento que se fez. A solução do problema actual é uma situação que a Câmara está a estudar. Não vou divulgar porque vamos falar primeiro com as pessoas interessadas. Qualquer decisão que venha a ser tomada deverá ter o consenso de todos.» (Diário de Aveiro)

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