A vereadora, e vice-presidente da Câmara de Ílhavo, Maria Eugénia Pinheiro, «deve renunciar ao cargo», defende o PS de Ílhavo, partido da oposição à maioria PSD-CDS. Os socialistas recusam «acreditar que ”procedimentos administrativos relacionados com a sua muito recente condição de aposentada do Ministério da Educação”, como a maioria PSD-AD justificou, «digam respeito a expedientes que busquem esquemas remuneratórios mais vantajosos, porque não é para esse efeito que existe o regime de meio tempo».
Acrescentam que o regime de meio tempo «preconiza o desempenho de funções a meio tempo por um determinado eleito quando se entende que a autarquia não necessita da sua dedicação a tempo inteiro». Aliás, a justificação «não esclarece de forma cabal as razões desta decisão, enredando-se em expressões genéricas que abrem a porta a mal-entendidos e a especulações, para além de poderem ser interpretadas como instrumentos ativos de confusão dos munícipes», segundo o PS.
O PS defende que «numa autarquia com a dimensão da Câmara Municipal de Ílhavo, não pode a vice-presidente estar a meio tempo, porque a dedicação ao mandato conferido pelos eleitores tem que ser total».
Diz em comunicado que «é uma questão de respeito pela vontade dos eleitores». A Câmara, presidida por Rui Dias (PSD), diz em comunicado que «o que muda é o regime de exercício de funções da vice-presidente e vereadora e não a estrutura do executivo municipal, as competências, responsabilidades, mantêm-se os pelouros, responsabilidades políticas e governativas». Mas os socialistas respondem que «esta não é uma questão de mera organização interna» e receberam a informação com «surpresa com a aparente leviandade da decisão e preocupação com o impacto que esta terá na qualidade e intensidade da governação do Município de Ílhavo» e discorda que a vereadora mantenha, a meio-tempo, «a tutela dos importantes pelouros da educação; desenvolvimento e ação social; cultura e identidade local; participação, cidadania e transparência; contraordenações e execuções fiscais e saúde».
Meio tempo é insuficiente para governar quando há «investimentos em escolas e centros de saúde, necessidade de resposta aos problemas decorrentes da emergência habitacional, modernização da política social, reforço da política cultural», entre outros temas.

