Os resultados de um estudo de Khawla Chouchene, Joana Prata, João Pinto da Costa, Armando Duarte e Teresa Rocha-Santos, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar e do Departamento de Química da Universidade de Aveiro, mostram que a Praia da Barra, Ílhavo, «apresenta quantidades significativas de microplásticos, com uma concentração mediana de 100 partículas por quilograma de sedimento, podendo atingir valores entre 15 e 320 partículas por quilograma». Recolheram 33 amostras de sedimentos «numa área fortemente influenciada tanto pelo turismo como pelo tráfego marítimo, duas das principais fontes deste tipo de poluição, e concluíram que «acumulam-se em grande quantidade».
Segundo os investigadores, é necessário monitorizar de forma sistemática a poluição por microplásticos nas praias portuguesas, sobretudo em zonas costeiras muito frequentadas» porque a presença destas partículas «representa um risco para os organismos marinhos, que as podem ingerir, e potencialmente também para a saúde humana, através da cadeia alimentar».
O estudo da UA, que contou com a colaboração da Universidade de Sfax, na Tunísia, «sublinha ainda a importância de reforçar medidas de prevenção, gestão de resíduos e sensibilização ambiental, de modo a reduzir a entrada de plásticos no meio marinho e proteger os ecossistemas costeiros».
INFO UA
«A poluição por microplásticos — pequenas partículas de plástico com menos de cinco milímetros — é hoje reconhecida como uma das maiores ameaças ambientais aos oceanos. No entanto, ainda existe pouca informação sobre a sua distribuição e características nas praias do Oceano Atlântico.
A maioria dos microplásticos identificados corresponde a polímeros comuns no quotidiano: polietileno (30 por cento), utilizado em sacos e embalagens; polipropileno (27 por cento), presente em recipientes e tampas; poliestireno (18 por cento), usado em esferovite; nylon (12 por cento), associado a redes de pesca e têxteis; e poliéster (6 por cento), muito comum em roupas sintéticas.
Quase todas as partículas encontradas (99,5 por cento) tinham um tamanho inferior a 1 milímetro, o que as torna praticamente invisíveis a olho nu. Predominavam as partículas transparentes ou pretas e as maiores concentrações foram registadas junto à linha de água, zona onde as ondas depositam com mais facilidade este tipo de resíduos».


