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Investigação da UA identifica vírus antigos – descoberta importante devido ao descongelamento de solos e materiais antigos

Uma equipa de investigadores do Instituto de Engenharia Electrónica e Informática de Aveiro (IEETA) e do Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) da Universidade de Aveiro (UA) conseguiu identificar vírus antigos em amostras biológicas muito degradadas, como aquelas encontradas em contextos arqueológicos, paleontológicos ou históricos.

Trata-se de um avanço «especialmente relevante numa altura em que começam a surgir novos desafios relacionados com o descongelamento de solos e materiais antigos devido às alterações climáticas, por exemplo, na Gronelândia. À medida que estas amostras se tornam acessíveis, é cada vez mais importante dispor de métodos fiáveis para detetar possíveis vírus preservados ao longo de milhares de anos».

O FALCON2, a ferramenta computacional desenvolvido, estuda esse património biológico antigo de forma mais rigorosa e sensível. Mas o impacto desta investigação «vai além da deteção: o estudo de vírus antigos permite compreender melhor como os vírus atuais evoluíram ao longo do tempo . Como o conhecimento sobre estes vírus continua a ser escasso, a reconstrução da sua história evolutiva ainda é limitada. Ao identificá-los e caracterizá-los, torna-se possível conhecer e esclarecer o caminho da sua evolução e coevolução, por exemplo, os mecanismos de adaptação e evasão à resposta imunitária do hospedeiro. Este conhecimento tem o potencial de contribuir para o desenvolvimento de métodos de diagnóstico mais precisos e de terapias mais eficazes, melhor ajustadas à diversidade e evolução dos vírus».

Segundo a UA, o estudo mostra que esta abordagem alcançou os melhores resultados na deteção de vírus em amostras antigas, superando consideravelmente os métodos de referência utilizados nesta área.

O grande desafio das amostras antigas «está no facto de o material genético nelas presente, após sequenciação, surgir extremamente fragmentado, alterado pelo tempo (deaminação) e frequentemente contaminado por ADN moderno ou ambiental. Estas limitações tornam muito difícil reconhecer com precisão a presença de vírus antigos, como, por exemplo, vírus humanos antigos. Foi precisamente para responder a este problema que foi criado o FALCON2: uma ferramenta desenhada para manter uma elevada capacidade de deteção mesmo quando as sequências genéticas estão muito degradadas».

Publicado na revista Bioinformatics, o artigo, é assinado por Luís Marques, Armando Pinho e Diogo Pratas, Nos testes realizados, o FALCON2 revelou um desempenho de excelência, com resultados particularmente robustos na análise de fragmentos ultracurtos de ADN antigo — precisamente o tipo de material em que os métodos convencionais tendem a perder eficácia. “Isto significa que a ferramenta abre novas possibilidades para a descoberta e também redescoberta de vírus antigos em amostras que, até agora, eram praticamente impossíveis de analisar”, explica Luís Marques, primeiro autor do artigo.

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