O investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro (UA), Paulo Baganha, alertou para a «urgência de soluções estruturais e para a necessidade de estratégias de gestão integrada do litoral», como afirmou no programa Portugal em Direto da Antena 1. São dois os fenómenos que aceleram a erosão, como a sucessão de tempestades, a subida do nível médio do mar aliados ao défice de sedimentos.
São «episódios extremos que vêm agravar um problema já identificado», o défice estrutural de sedimentos «observado em muitas praias» que estão «na génese da erosão costeira».
É que, segundo o investigador, a monitorização contínua das zonas mais sensíveis «demonstra recuos significativos da linha de costa, particularmente após períodos de maior agitação marítima».
A resposta, disse, «passa por soluções baseadas na natureza, nomeadamente a reposição artificial de sedimentos e o reforço dos sistemas dunares, medidas que devem ser enquadradas em estratégias de médio e longo prazo, que incluam programas regulares de monitorização e uma gestão mais integrada do litoral».
A erosão costeira não é exclusiva de zonas como Ovar (onde a praia de São Pedro de Maceda praticamente desapareceu) ou Mira (onde o cordão dunar recuou vários metros), conforme indicou «mas sim uma realidade que afeta grande parte do território costeiro português, exigindo articulação entre ciência, políticas públicas e ordenamento do território».

