O ex-administrador dos Serviços Municipalizados de Aveiro, Vitor Silva, vereador da Câmara de Aveiro durante 15 anos, até ao final da década de 90, admite que a Câmara negoceie a passagem da gestão das redes de água e saneamento para uma nova empresa, cuja maioria será da Águas de Portugal (AdP), em conjunto com outros municípios, dizendo sim ao negócio «mas que seja por um valor justo, mais ou menos 150 milhões de euros».
Vitor Silva sublinha que «à Adp apenas interessará o negócio se Aveiro fizer parte». Contudo, acrescenta que a gestão através da AdP «é a forma de exploração mais cara», apontando para as tabelas de tarifas do Instituto Regulador de Águas e Resíduos, das empresas do grupo da AdP, «mais cara em média cerca de 60%».
No lugar da nova empresa, em que os municípios são minoritários, questiona ainda Vitor Silva, «porque não uma empresa regional só para as águas e saneamento com os municípios do Baixo Vouga? Ou não serão os aveirenses capazes de gerir uma empresas dessas?».
Pergunta ainda: «Porque não uma empresa de águas, saneamento, transportes e resíduos sólidos que a nível regional fosse gerida?».
O assunto foi levantado esta segunda-feira à noite, no período dedicado à intervenção do público na abertura da sessão de Junho da Assembleia Municipal.
O ex-vereador e ex-administrador posicionou-se no meio da discussão da parceria em negociação entre vários municípios e a AdP para a mudança da gestão das águas e saneamento, dos Serviços Municipalizados para a nova empresa Águas da Região de Aveiro.
O contrato de parceria será votado na Assembleia Municipal de Aveiro esta quarta-feira. Já foi reprovado pelos municípios de Ovar e Oliveira do Bairro.
Vitor Silva decidiu intervir na Assembleia quando tomou conhecimento da «intenção da Câmara em alienar 51 por cento dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento». Disse que o valor do património andará muito próximo dos 100 milhões de euros, e o valor do negócio é de 70 milhões.
Quanto ao enquadramento da empresa, disse que importa saber o grau de realização de infra-estruturas em cada município, o valor do negócio e a percentagem que cabe a cada município.
«Aveiro tem tudo feito» e pergunta «quanto custa executar o que falta?», pergunta quando constata que «alguns dos outros municípios estão muito aquém dos 100% em rede de abastecimento de água e, em termos de saneamento, na melhor das hipóteses, têm saneamento limitado aos aglomerados urbanos».
Na reacção a esta intervenção, PSD e PP optaram por acusar o PS de mudança de discurso, à excepção de António Granjeia do PP. Disse que até quarta-feira iria reflectir sobre o assunto admitindo retirar-se no momento da votação.
O presidente da Câmara de Aveiro, Élio Maia, disse que «não há qualquer venda ou alienação, nem privatização, é uma parceria». Nem haverá, disse, «aumentos abruptos de preços».
Raul Martins do PS, disse que se trata de um «negócio às escondidas, que vai prejudicar os aveirenses nos próximos 50 anos» Para o socialista, Aveiro «não soube aproveitar o activo e o negócio que tem».
Nelson Peralta do BE disse que se trata de um «mau negócio para Aveiro que é o município que vai perder mais».
António Regala do PCP disse que a Câmara «tem tudo feito (rede de água e saneamento) e é o que vai receber menos».

