A GNR de Lourosa, Santa Maria da Feira, deteve ontem um desempregado que arrombou a casa da sogra, agrediu-a, e depois sequestrou a mulher e o filho de 14 anos, obrigando-os a acompanhá-lo a uma caixa de multibanco onde tentou levantar dinheiro, noticia o Diário de Aveiro.
«O suspeito, de 40 anos, tem atrás de si um longo historial de violência doméstica e toxicodependência e está a ser acompanhado pelo Centro de Atendimento a Toxicodependentes de Santa Maria da Feira, integrando um programa de substituição de heroína, segundo os familiares. «Cerca das 5.30 horas, o meu neto bateu à janela desesperado a gritar: Ó ‘Vó’ abre a porta se não ele (pai) mata-nos», recordou Maria da Glória Silva, uma viúva de 70 anos.
A septuagenária deixou entrar a filha e o neto, mas deixou o genro lá fora. «Ele arrombou a porta ao pontapé e com um ferro que apanhou de uma vedação do outro lado da estrada, eu fugi e tentei fechar a porta da cozinha mas ele também a arrombou e depois começou a dar-me pontapés e murros e eu caí», diz. O agressor terá tentado ainda agredir Luís Fernando, um filho com uma deficiência física que vive com Maria da Glória, mas, repentinamente, elegeu como alvo a mulher e o filho.
«Hoje vais ajustar contas comigo», terá gritado ameaçadoramente, esgrimindo o ferro com cerca de um metro de comprido. Os gritos desesperados ecoavam na madrugada, enquanto o agressor levava a mulher e o filho consigo até um multibanco na EN1 junto ao Parque dos Duques, onde viria a ser detido pelas 6 horas por uma patrulha da GNR que entretanto tinha sido alertada por Maria da Glória. Ao seu lado estavam a mulher e o filho e na mão o ferro.
O suspeito foi ouvido no mesmo dia pelo Tribunal de Santa Maria da Feira mas vai aguardar julgamento em liberdade, obrigado a apresentar-se periodicamente às autoridades.
Segundo os cunhados e a sogra do suspeito, esta vida de inferno já tem mais de dezena e meia de anos. As agressões à mulher foram o motivo da separação do casal que durou até alguns meses atrás.
«Mas ele voltou com aquelas ‘cantigas’ e ela voltou para ele e retirou as queixas», contam. O casal vive com o filho no bairro social local. A mulher que deixou o emprego numa multinacional do calçado por causa dos escândalos que o marido fazia à porta da fábrica, é agora «obrigada» a andar a pedir de porta em porta, «para arranjar dinheiro para o marido comprar droga». «Muitas vezes à noite ele leva-os com ele para os bairros do Cerco e do Aleixo no Porto, onde compra a droga e depois consome à frente do filho», acrescentam os cunhados.
«Comprou um carro que não pagou e já o vendeu por 250 euros, antes disso recebeu mais de 2.500 euros do fundo do desemprego que gastou em dez dias a comprar droga», afirma, antes de concluírem: «Isto não tem fim e o pior é o filho que assiste a tudo». (Diário de Aveiro)

