A Câmara de Ovar contesta os resultados do Relatório Anual do Sector de Águas e Resíduos em Portugal, relativo ao ano 2005 do Instituto Regulador de Águas e Resíduos apresentado a 10 de Outubro, segundo o qual o abastecimento público de água em Ovar revelava má qualidade, facto que «não corresponde à verdade».
Segundo uma nota da autarquia, «não há riscos para a saúde pública» e trata-se de uma «interpretação simplista dos números divulgados pelo IRAR que distorce a realidade e equipara uma violação que pode ser letal (por exemplo por contaminação com cianeto), a um incumprimento do PH, que não afecta a saúde humana e este relatório não avalia quem não cumpriu o programa de controlo».
Acrescenta ainda que «nos parâmetros de elevado risco no Controlo de Inspecção, Ovar não registou nenhuma violação. Foi cumprido a 99,93% o plano de análises previsto para 2005, sendo que em muitos municípios a percentagem de análises em falta foi muito elevada».
Acrescenta a autarquia vareira que «decorrente da implementação de medidas de melhoria contínua, o Plano de Controlo de Qualidade para o ano 2006, realizado pelos SMAS, regista até ao momento dois incumprimentos contra 15 do ano transacto, o que atesta a importância que tem sido colocada na correcção dos parâmetros de qualidade relevantes para a saúde humana».
Encontra-se em curso, segundo a Câmara, um procedimento para adjudicação de uma solução técnica para a correcção do PH.
Argumentação da CM Ovar
«Os SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) elaboram, anualmente, um Plano de Controlo de Qualidade da água para o ano seguinte e que é submetido à aprovação do IRAR. Nesse plano de controlo estão previstos parâmetros de análises a efectuar e a sua frequência ao longo do ano, com cobertura total do concelho.
As análises repartem-se por três grupos de parâmetros: Rotina 1 (análise microbiológica a ecoli, bactérias coliformes e desinfectante residual), Rotina 2 (PH, manganês, nitratos, etc.) e Controle de Inspecção (arsénio, chumbo, cianetos, enterococos, mercúrio, pesticidas, etc.).
Na Rotina 2, o parâmetro de PH analisado em 2005 (ronda os 6), pelas características intrínsecas da água na região de Ovar, é inferior ao parâmetro de referência (6,5 a 9), não constituindo, no entanto, risco para a saúde humana, conforme é assegurado pela Delegada de Saúde do Centro de Saúde de Ovar. O incumprimento deste parâmetro representa 52% dos incumprimentos totais.»

