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Proposta de auditoria de quatro em quatro anos

Gilberto Ferreira, militante do PSD e administrador da empresa municipal Parque Desportivo de Aveiro, defendeu a realização de auditorias às contas da Câmara «de quatro em quatro anos». «Sempre que houver eleições, seja qual for o executivo», propôs durante o programa de debate É Notícia, da rádio Aveiro FM, noticia o Diário de Aveiro.

«O objectivo é «dar uma imagem de credibilidade» do município, acrescentou.

O social-democrata refere que «todos» se devem unir na busca de soluções para os problemas financeiros da autarquia. «O PS tem de assumir que deixou muita obra, mas que deixou também muita coisa por pagar», afirmou.

Raul Martins, presidente da Comissão Política Concelhia do PS, reconheceu que «a estrutura financeira da Câmara está desequilibrada», mas garantiu que não se trata de uma situação «trágica».

«O grande problema», prosseguiu, «não é o défice financeiro, mas o défice de ideias e a falta de capacidade para resolver a situação».
A dívida apurada de todo o universo camarário (incluindo serviços municipalizados e empresas municipais) situa-se nos 156 milhões de euros, longe dos números avançados pela actual maioria. «Gostariam [PSD e CDS-PP] que a dívida fosse maior para dizerem que têm razão», salientou, acrescentando: «Caíram do pedestal, porque a dívida não é de 200 e tal milhões de euros».

Conhecido o montante da dívida, os partidos da maioria «estão aflitos» porque ficaram «privados do seu alibi», avaliou Raul Martins no É Notícia.

O executivo liderado por Élio Maia foi também acusado de «permitir que a dívida aumente». «O ritmo de crescimento da dívida é bastante
grande», disse o líder do PS/Aveiro.

Aos microfones da Aveiro FM, o socialista lembrou, por outro lado, que a dívida da autarquia foi contraída para possibilitar um «salto qualitativo» no concelho. Só a construção do novo estádio custou 55 milhões de euros, recordou.

«Sem o estádio, os valores continuavam elevados mas a situação não seria tão grave», frisou, declarando ainda: «É bom lembrar que o estádio já foi construído quando a situação financeira apresentava alguma gravidade, e foi a obra que obteve o maior apoio alguma vez conseguido, tendo sido aprovado por unanimidade na Assembleia Municipal».

«Tudo foi construído nesta altura. Pode-se acusar o executivo de Alberto Souto de tudo, menos de não deixar obra», finalizou.
Jorge Afonso, representante do Bloco de Esquerda, acusou os socialistas de se estarem a «desviar das suas responsabilidades». A situação financeira do município deve-se à «forma como o PS geriu a Câmara», avaliou, classificando o estádio como uma «obra megalómana».

António Regala, do PCP, reconheceu que se trata de uma situação «preocupante» mas mostrou-se confiante. «Vamos conseguir sair desta situação», vincou. (Diário de Aveiro) – edição on line não disponível

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