Os estaleiros de S. Jacinto não geram receitas que lhes permita o cumprimento das suas obrigações com os credores, foi ontem provado em tribunal, segundo a leitura dos 48 quesitos da acção de pedido de insolvência que trabalhadores daquela empresa oportunamente requereram, noticia o JN.
«A decisão judicial de declarar insolvente ou não os Estaleiros de S. Jacinto deverá ser conhecida na próxima semana, uma vez que o Tribunal tem cinco dias, a partir de hoje, para proferir a sentença.
Nos quesitos da responsabilidade da juiz Maria do Carmo Lourenço é referido como não provado que o activo da empresa é superior ao passivo como pretendia o representante dos estaleiros, Luís Assis, que defendia que o activo se cifrava em 13 milhões de euros. Não foi dado como provado que o valor dos projectos de construção de navios, em poder dos Estaleiros, tenham um valor de cinco milhões de euros.
O tribunal deu ainda como provado que o passivo da empresa é de, pelo menos, nove milhões de euros e que foi retirado algum material do interior dos estaleiros.
Ontem, o tribunal ainda ouviu o técnico de contas da empresa, Carlos Gabriel prestar alguns esclarecimentos sobre o último balancete dos Estaleiros de S. Jacinto. Aquele técnico não soube explicar como nos últimos três anos a empresa, que se tem dedicado , na generalidade, ao desmantelamento de navios e à construção de pontões, teve “trabalhos em curso” no valor de dois milhões de euros.
Nas alegações, José Amaro, representante dos trabalhadores que requereram a insolvência da empresa – que requereu a impugnação de documentos apresentados pelos Estaleiros ao tribunal, por não estarem certificados nem pelo conselho fiscal nem pelo revisor oficial de contas – lembrou que apenas 12 pessoas laboram na empresa e que os salários em atraso têm sido uma constante depois que o plano de recuperação da empresa acabou. “Continuar é andar a dar sangue a fantasmas”, disse o causídico.
O representante jurídico da empresa, Luís Assis, não negou a existência de débitos aos trabalhadores, que elogiou e acusou os credores de não cumprirem o plano de recuperação ao não aceitarem diminuir os seus créditos. Para aquele causídico, a mais valia dos trabalhadores pode relançar, no futuro, os Estaleiros de S. Jacinto, que têm 90 mil euros a receber de serviços prestados.» (JN)

