A Federação Europeia dos Produtores de Sal Marinho Recolhido Manualmente quer a inclusão dos cristais na listagem dos produtos agro-alimentares, um reconhecimento europeu que representa uma forma de protecção ao nível da União Europeia, face aos «problemas de contrafacção que se desenvolvem no mercado interno», segundo disse o presidente daquela organização, Michel Coquard, depois de uma reunião realizada recentemente com representantes da Comissão Europeia (CE), em Bruxelas, noticia o Diário de Aveiro.
«A Associação dos Produtores e Marnotos da Ria de Aveiro integra a Federação Nacional de Produtores de Sal Marinho Artesanal (FENA.SAL), membro fundador da federação europeia. A associação de Aveiro, através do seu presidente, Manuel Estrela Esteves, integrou a delegação que se encontrou com a CE. A inclusão do sal na lista que a União Europeia reconhece como produtos agro-alimentares pode ser feita no anexo 1 do regulamento 510/2006. Actualmente, o sal é considerado um produto mineral.
As organizações pretendem a protecção do sal através da Denominação de Origem Protegida e pela Indicação Geográfica Protegida. Um segundo objectivo tem a ver com a protecção do termo «Flor de sal», uma técnica de recolha tradicional e específica, com a Especialidade Tradicional Garantida, cujo requerimento será entregue nos próximos dias, segundo disse ao Diário de Aveiro o vice-presidente da federação europeia, Fernando Reis.
O dirigente referiu ainda que deve ser aproveitada a presidência portuguesa da União Europeia e a «sensibilidade» para o assunto da comissária para a Agricultura, antes da publicação, em Outubro de 2008, do Livro Verde, que faz um balanço do produtos alimentares.
O presidente da associação de Aveiro, Manuel Estrela Esteves, disse ao Diário de Aveiro que verificou junto da CE, em Bruxelas, que: «Se formos capazes de mobilizar o Governo português durante a presidência portuguesa da União Europeia, os objectivos conseguem-se a curto prazo, se assim não for só para 2010».
Entretanto, o presidente da federação europeia apela a que a CE «utilize, sem esperas os procedimentos que lhe permite propor a inserção de novos produtos» e não quer esperar que «as propostas genéricas sobre o futuro da política de qualidade corram o risco de, na melhor das hipóteses, não serem apresentadas antes de dois a três anos».
Segundo Michel Coquard, «os diferentes sais marinhos artesanais são produtos de qualidade que têm uma história e características próprias, assim como, um vínculo muito forte com o território de onde provêm. E, a este título, cumprem plenamente as condições da protecção ao nível europeu».
A federação «questiona-se «porque é que o sal marinho recolhido à mão e a flor de sal não podem beneficiar de uma protecção ao nível comunitário, à semelhança do que Portugal já conseguiu».
Depois do encontro em Bruxelas, a FENA.SAL já solicitou uma audiência ao secretário de Estado Adjunto da Agricultura e das Pescas «para apreciação da situação». Diário de Aveiro – notícia não acessível on line

