A quimioterapia seguida de remoção cirúrgica do tecido tumoral é o tratamento normalmente adoptado em casos de tumores ósseos, um implante que preencha as áreas excisadas, enquanto liberta os agentes quimioterápicos localmente e de uma forma mais controlada durante o período de tratamento, é o que se propõe conseguir uma investigação liderada pelo Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos da Universidade de Aveiro (CICECO/UA).
São 11 os investigadores das universidades de Aveiro e Coimbra que se propõem a desenvolver um implante que contenha agentes quimioterápicos de acção localizada e que facilite a sua libertação controlada ao longo de um período de tempo adequado, «tendo em conta que nestes casos é desejável evitar novos tratamentos de quimio ou radioterapia na neutralização de possíveis focos residuais».
«Os suportes porosos que nos vão permitir introduzir a componente química no organismo são concebidos a partir de biomateriais de dois tipos: um bio-estável (não degradável e biocompatível) e outro polimérico, com características biodegradáveis. O primeiro destina-se a ser aplicado em casos em que não há capacidade de regeneração do tecido ósseo e o segundo em situações em que se verifique a possibilidade de recuperação natural do osso. Neste último caso o implante será absorvido e progressivamente substituído pelo osso natural».
O projecto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e apresenta, também, uma vertente inovadora ao nível do estudo dos efeitos metabólicos dos novos compostos (encapsulados ou não) sobre as células de osteossarcoma humano, como explica a investigadora. «É importante conhecer a resposta das células cancerígenas às drogas, de forma a poder ajustar e adaptar a natureza e dose da droga, para um tratamento mais eficaz. Estes estudos usam a espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) na caracterização do perfil metabólico das células e a aplicação de tratamentos estatísticos adequados ajudam a identificar alterações metabólicas específicas e a sua relação com os padrões de morte celular».

