A última reunião da Assembleia Municipal de Aveiro, esta sexta-feira à noite, foi principalmente de despedidas mas também de insistência por parte da bancada socialista acerca da venda dos terrenos das piscinas ao Beira-Mar e do conhecimento do convite do PP para uma coligação com o Bloco de Esquerda para a candidatura a duas freguesias, nas eleições autárquicas do passado domingo.
Na generalidade, as intervenções das bancadas foram de despedida e agradecimentos com alguns reparos dos momentos mais tensos ao longo do mandato. Destaque para alguns abandonos, particularmente os mais assinalados, de Jorge Nascimento e Celso Santos, do CDS-PP.
As figuras do socialista Carlos Candal e Manuel Arede, que faleceram durante o mandato também foram muito citados pelo que prestaram. O nome de Carlos Candal está reservado para uma rua ou avenida na Vera Cruz. Regina Bastos estava sentada em frente a Carlos Candal e no início do mandato, sentiu hostilidade do socialista que a criticava por ser uma natural do município de Estarreja e não de Aveiro. Mas que legitimou considerando-o legítimo pelo «aveirismo» de Candal. Também apreciou a atitude do Executivo, que recebeu «observações a roçar o insulto».
Mas foi um mandato difícil para Regina Bastos, dada a pressão socialista sobre a presidência mas Pires da Rosa fez as ‘pazes’ considerando-a uma «aveirense».
Mas a bancada socialista não marcou toda a reunião típica de encerramento, despedidas e agradecimentos. O vogal António Rodrigues, a imagem do «pitoresco», segundo o líder da bancada do CDS-PP, Manuel Coimbra, foi insistente na questão relativa ao «negócio secreto, contornos escuros e sonegação de dados», referindo-se à venda do terreno das piscinas ao Beira-Mar, pago com um cheque sem cobertura. O socialista questionava todos, dos partidos da maioria, que expressavam as despedidas. Mas António Rodrigues não recebeu resposta, nem do presidente da Câmara Élio Maia que, além de expressar «gratidão», disse apenas que os trabalhos correram «quase sempre muito bem, nem sempre muito bem».
Nelson Peralta também disse que «foi a esquerda que se opôs aos negócios obscuros que a Câmara foi fazendo» mas não obteve qualquer reacção.
O verniz também estalou quando Miguel Fernandes, eleito vereador para a Câmara de Aveiro, disse que «Aveiro não quis que a esquerda avançasse, mantendo a realidade ideológica de sempre». A afirmação levou a que Nelson Peralta, perguntasse a Miguel Fernandes «porque é que o PP convidou o Bloco de Esquerda a coligar-se em duas freguesias?… nos bastidores a conversa é outra».
Manuel Coimbra fez o discurso da vitória da coligação, as despedidas e agradecimentos mas também se referiu ao «ambiente de agressões e suspeições políticas».
Também se tratou de tentar encontrar explicações para a vitória folgada da coligação PSD/CDS-PP e o socialista Pires da Rosa esmiuçou alguns aspectos. Julgou que a Câmara tinha feito «asneiras suficientes» para perder as eleições, que o plano de saneamento financeiro e a parceria público-privada para construir e requalificar escolas tinham uma avaliação negativa dos munícipes, que o discurso da dívida não servia, mas admitiu que se enganou. Chegou a uma conclusão: «ou isto não teve importância ou o PS falhou na estratégia, a mensagem não passou».

