A Assembleia Municipal de Aveiro aprovou esta segunda-feira à noite duas propostas de compra de terrenos, um em S. Jacinto por 1,5 milhões de euros para requalificação de uma área envolvendo os antigos estaleiros de S. Jacinto, e outro em Esgueira, por 500 mil euros, viabilizando o projecto de construção do futuro quartel dos Bombeiros Novos com acesso à EN-109, e promovendo a construção imobiliária na zona.
Na reunião desta noite, a Assembleia reprovou uma proposta de recomendação à Câmara, apresentada pela bancada do Bloco de Esquerda, no sentido de saída da autarquia da empresa Águas da Região de Aveiro.
Na aquisição de terrenos em S. Jacinto, a pagar em 12 prestações, junto à área dos antigos estaleiros, a Câmara contou com os votos a favor das bancadas da maioria, PSD, CDS-PP e do independente de Nª Sª de Fátima. O PS absteve-se, não votando contra, dada algumas garantias dadas pelo presidente da Câmara, Élio Maia, entre as quais a promessa de requalificação da frente ribeirinha da freguesia.
Os terrenos são propriedade do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social e a quantia que a autarquia irá dispender não corresponde ao seu valor real mas à dívida dos estaleiros.
Élio Maia não tem absoluta certeza do que será feito na zona. «Não sei se cria postos de trabalho, mas se nada fizermos não cria nenhum. O melhor é tentar, é uma tentativa de de criarmos mais riqueza económico-social, correr rsiocos, tomar decisões».
O autarca está a pensar no terreno a adquirir, possibilitando a 22 mil m2 de construção, juntando-o ainda ao dos antigos estaleiros, este com frente para a Ria, totalizando 77 mil m2. «Avançando em conjunto com os estaleiros», disse. Segundo Manuel Coimbra, do PSD, o negócio «minimiza o impacto negativo da falência dos estaleiros e potencia a requalificação da zona e o emprego» além do que considerou virem a serem mais-valias que a Câmara pode vir a obter. É um «negócio extremamente vantajoso» segundo Rafael Nevado do PP.
O Bloco de Esquerda e o PCP têm opinião diferente. O comunista António Salavessa disse que não ficou demonstrado haver «impacto social a curto ou médio prazo», além de considerar que a situação financeira da Câmara não se adequa a este investimento. O BE tem dúvidas quanto a este negócio além de não considerar ser uma competência da autarquia interferir neste tipo de investimento e por não resolver o problemas dos antigos estaleiros.
O terreno em Esgueira de 4 mil metros quadrados, cuja aquisição foi aprovada com os votos da maioria, viabilizam a possibilidade dos Bombeiros Novos avançarem com o projecto de construção de um novo quartel para a corporação, permite abrir um acesso à 109, alargar o cemitério e desenvolver um investimento imobiliário.
Contudo, a proposta da Câmara não referia estes objectivos. Para António Salavessa, não foi escrito, apenas foi dito, que o terreno tinha aqueles fins, assim como o Bloco de Esquerda diz que «faltou informação crucial». O PSD valorizou os acessos, o PS embora não votasse contra, disse que Élio Maia «não foi claro».

